Ou a parte que te cabe desse latifúndio

Televisão

Você que assiste novela não tem a impressão de que a dramaturgia se aproxima cada vez mais dos reality-shows. A novela ao sabor dos índices do ibope, a realidade milimetricamente ensaiada. Parece o ataque dos mortos-vivos. Mas quase ninguém percebeu.

Senso comum

Novelas são armadas de destrição em massa por meio da construção e manutenção do senso comum, de preconceitos. Por isso tenho visto dias sim, dias não… Só tem um porém, vicia. E quando você acorda, já dormiu. Veja só, hoje perdi um capítulo por causa de uma twitcam sobre a MP557 e deixei de sintonizar a Rede Bobo. Me sinto melhor.

A parte que te cabe nesse latifúndio

Já falei aqui do Festival de Arte Urbana. Fiquei com isso na cabeça o dia inteiro. Écomo se tratasse do encerramento de um ciclo. Começou com a pixação da Belas Artes à revelia. Termina com o CCBB SP sendo pixado com neon por artista convidado. Essa é a parte que lhes/nos cabe desse latifúndio?

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Em tempos de BBB

Gosto de analisar a produção de senso comum, compreender como ele se entrelaça ao campo científico que o alimenta e, ao mesmo tempo, o humilha. Assim, me interesso por tudo o que se refere ao encontro entre ética, estética e política. Se eu tivesse que escolher dentre os meus interesses, um que aglutina, que concentra minha pesquisa e estudos, direi que é o corpo, não como objeto antropológico apenas, mas como concreto avesso da metafísica constantemente produzido por um sistema econômico-político. Quero compreender o corpo vitimado e o corpo como potência.

Minha intenção com a análise do funk carioca, que irritou muita gente, foi capturar a expressão da cultura como sobra de processos político-econômicos. A ideia de que a cultura é lixo – ou seja, resto – seja de uma cultura anterior no tempo, seja de um processo social no espaço, é o meu foco. Mas não quis tratar disso de um ponto de vista moralizante, quis, ao contrário, mostrar que o funk é o novo ópio do povo. Sendo o ópio a droga pela qual se paga pensando que, por meio dela se alcançou liberdade, enquanto apenas o vendedor de ópio é que se deu bem. A ideia é velha. Eu pretendia com isso pensar a questão estética enquanto ela é questão política presente neste fenômeno cultural. A meu ver, o Funk não é um produto apenas do “povo”, mas da indústria cultural como campo de controle da expressão. O que aparece no funk como expressão não é mais do que a indústria da libido e da sensação, mais um mecanismo de controle dos pobres, dos habitantes das margens para que considerem que a margem é o ouro e não se metam a sair do seu gueto. Claro que o funk carioca saiu um pouco do gueto, mas apenas o suficiente para não pensar que fracassou.

Sobre como podem me ver depois da TV, não confio nesta questão, pois todos – os que fazem tv apenas vivem em uma máquina de alucinar pessoas – somos vistos por tanta gente que qualquer tentativa de fixar uma imagem única do que uma pessoa é, ou parece ser, sempre precária diante do caleidoscópio da existência. E, na verdade, é uma questão que acho perdida pra todo mundo que se preocupe com ela.

A televisão é como nosso olho, arrancado de nós, substituindo nossa visão de mundo, nossa compreensão de um real. A televisão produz uma verdade assumida pelo sujeito no lugar de qualquer outro. Sujeito é já um termo ultrapassado se considerarmos que uma de suas características na tradição que o criou e na qual ele sobreviveu era a autonomia. Esta autonomia é o que o telespectador não tem mais. Assim, vamos deixar o sujeito e pensar em telespectador, alguém que, diante da televisão é prisioneiro do que chamei de lógica do espectro.

Marcia Tiburi para O umbigo das coisas

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O embaixador branco

Nunca tinha reparado é que o tal do Uncle Bens é uma blackface. O termo é usado para descrever o conjunto de estereótipos atribuídos aos negros. A informação é do site BlackFace, the history of blackface stereotypes. Lá estão a Mammy e sua contrapartida, o Uncle Tom que originou a personagem no saquinho de arroz.

Toms are typically good, gentle, religious and sober. Toms were another favorite of advertisers and ”Uncle Ben” is still being used to sell rice.

Coisa do passado? Um post do Proudly Afrikan descreve uma nação de blackfaces. Fala do costume holandês de festejar o natal pintando o rosto de negro. Imagina sair às ruas e encontrar um exército de blackfaces? E nem adianta muito explicar por que é uma prática ofensiva. Quem sabe o trabalho do artista Nate Hill ajuda? Com vocês, o Embaixador Branco.

Greetings, White People! I am your ambassador. Some black people think we stink, simply because we are white. Can we change their minds? As your ambassador, I will try.

(…)

The White Ambassador started by going to Harlem to tell black people that they could be racist, but many said they didn’t have enough power to be racist. Therefore, he adjusted his approach to say that black people could have prejudice. That was received better but still not well, and three common arguments arose — “White people started it”, “White people don’t care what we think”, and ”White people don’t need to be defended”.

From there, The White Ambassador made more adjustments. He decided before criticizing blacks in Harlem, he would first admit his own racist past in front of them. Following this, The White Ambassador went to the Upper East Side to see if white people cared or not what blacks said. He was mostly ignored by white people in the street.

Perhaps it was because they weren’t aware of the stereotype, or they didn’t care, or the ambassador was intimidating in whiteface. He returned to Harlem and told black folks that he didn’t find that white people cared about the comments of black people, and they were right in the first place.

Super cool!

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São Paulo ganha Festival de Arte Urbana

O pixo é a mais interessante vanguarda e talvez a única já tivemos. Infelizmente, de alguma forma, a hype acabou. E mais, aos poucos será fagocitado, virar coisa de museu, sério.  Ainda assim, é possível curtir um tantinho enquanto está no meio do caminho entre o marginal e o mainstream. E aproveitar para ficar de olho nos mecanismos de domesticação apreensão da arte urbana pelo sistema/mercado de arte.

Faço votos que essa não seja a vibe do Festival de Arte Urbana que acontece entre os dias 25 e 29 de janeiro, com 5 intervenções urbanas em grande escala no centro velho. Umas delas será assinada pelo grupo Goma Oficina que propõe a Instalação Cartão Postal SP. A idéia é pixar do CCBB SP com neon.

A pixação de São Paulo é singular quando comparada a formas similares de expressão de outras cidades no mundo. Tanto por sua complexidade de organização quanto por sua execução estética, o pixo da cidade é um interessante objeto de estudo que, entretanto, passa desapercebido pela grande maioria dos paulistanos.

There’s a hidden secret. Pixo que é pixo ataca a propriedade privada. Nesse caso, ainda que tenham sido convidados e não usem tinta, olha quanta concessão!, temos de considerar o suporte. Estão pixando um prédio que já abrigou um banco. E isso, como tudo nessa vida, tem seu lado bom e seu lado ruim.

De qualquer forma, enquanto seu lobo não vem, conheça um pouco mais do grupo Goma no flickr e visite do site do projeto Urbe. Eu provavelmente ficarei acompanhando tudo pela web. Fica muito complicado ir até o centro da cidade à noite com a Ayca no colo. Precisamos de mais arte maternidade friendly neam? Lixo.

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Oi biscates, feliz 2012

Lá em casa era assim: um homem ou outro. A sargento da trupe era minha mãe, linha dura para com uma pequena legião de filhas, irmãs e sobrinhas. Mas havia uma entre nós que não ligava muito para tudo isso. Logo ganhou o apelido de biscate. Bisca, pra ser mais exata.

Le Déjeuner sur l'herbe, Édouard Manet

O motivo era simples: quando tomou conta do próprio nariz e de outras partes também, parou de esconder que tinha uma vida sexualmente ativa. Suas calcinhas era de rendinha, vermelhas. Coisa de biscate é claro. Até mesmo as crianças foram autorizadas a chamá-la dessa forma. Ironicamente, contrariando a certeza de todas nós, não foi mãe durante a adolescência. Na verdade foi uma das últimas.

Hoje crescemos todas.

Vasculhando um armário encontrei uma agenda daqueles tempos. Só 20 anos atrás. E como aos 15 algumas são mais babacas que ass demais, eu pedia a todo mundo que escrevessem na minha agenda, como se tivesse assim uns 12 anos. Algumas amigas escreveram. Escreveu também meu primeiro namoradinho, aquele do primeiro beijo.

Ao final da uma fofíssima declaração de amor (sejamos poéticos vá) , o sujeito foi direto ao ponto: “dá pra mim, vc entendeu”.

Olha, lendo isso me arrependo pacas de não ter tido tempo ou disposição de dar o que o gajo queria. E ainda digo isso bem alto, para meu marido (na falta de outrra definição) ouvir. E lá vem o puto: como assim:? Uai como assim, é isso mesmo, devia ter dado. Minha vida teria sido bem diferente. Teria me tratado muito melhor.

Teria deixado tudo pra lá e sido biscate bem mais cedo. Mesmo antes tarde do que mais tarde.

The picNYC Table por HAIKO CORNELISSEN ARCHITECTEN

E não apenas nesse sentido que você está pensando.

Estou falando de arte. Por que por muito tempo me importei (demais) com o que os outros pensariam dos meus projetos. E assim deixei várias coisas bacanas no papel. Uma delas data de 2008 quando me tornei obcecada por Almoço na Relva de Manet. Essa semana achei a tal da idéia muito bem executada por um escritório de arquitetura. Claro, nesse mundo ninguém copia ninguém. Trata-se do Esprit du Temps. Eles executaram, eu fiquei pensando na vida.

Então essa é minha promessa para o Ano de 2012: ser bisca. Biscarte.

E olha que já cheguei chegando.

Desejei ver Josephine Baker no blog Biscate Social Club e fui convidada para fazer um guest post sobre o assunto. Já está no ar. Bem aqui.

E muito mais vem por ai. Feliz 2012. Abafa.

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Os filhos da dissidência russa

Kasper e Sokol

Esse da foto é ninguém menos que Kasper Can’t-Take-Our-Eyes-Off-Him Sokol, artista e membro do coletivo Voina (algo como “guerra”) renomado grupo de artistas de vanguarda (falemos nesses termos, por enquanto) russos. Com menos de 3 anos de idade, participa de ações artísticas desde seu nascimento em 2009. Já apanhou e foi preso 3 vezes pela polícia russa. Não tem residência fixa por que seus pais, fundadores do grupo do qual faz parte, renunciaram ao uso do dinheiro há alguns anos.

Nessa imagem é observado de pertinho por sua mãe, Sokol.

O grupo tem orientação anarquista. Sua organização é horizontal mas se torna vertical durante suas performances, o que é pra lá de interessante e aumenta sua eficiência, digamos assim. Sua obra é descrita como arte de protesto político, super benvinda numa Rússia onde

the government officials and the so-called “elite”, who follow some dubious ethics, considering their population to be cattle and making sure they are all following a steady path of self-destruction in order for this very elite to be able to lead a comfortable life and hold on to their places. I’m talking about the pharmaceutical industry hooking people up on life-long medications, the neo-liberal craze where the strongest gets it all, the social systems designed in a way that can support huge bureaucratic machines, while promoting mass-apathy, the prevalence of consumerist approach that is spilling out to people’s relations – just a few examples.

Alexey Navalny, a prominent Russian anti-corruption activist, talking about the real state of things, the Russian elite, their morals, and motivations. 

Quaisquer semelhanças são pura coinciência.

Como muitos artivistas, seus objetivos foram estabelecidos numa espécie de manifesto. Preocupa-me a construção de uma imagem romântica do artista como intelectual e herói que prevalecerá contra o mal. E como o inimigo é o governo e o sistema de coisas russo, é preciso provocar respostas emocionais profundas. Pretendem ainda criar uma arte de rua nacional, que não seja provinciana ou conformista, a ser admirada por artistas estrangeiros.

Renunciaram ao uso do dinheiro (super cool), andam de bicicletas e não tem residência fixa. Coisas que admiro e para quais pretendo caminhar. Mas voltando ao grupo, está construído todo um cenário para uma (triste) mistificação de suas personagens. Sobretudo se falamos nos fundadores do grupo, os pais de Kasper: Oleg Vorotnikov e Natalia Sokol. Ele um filósofo e ela uma PHD em Física. Jovens brilhantes que renunciaram ao sistema pela arte. Mais romântico impossível.

Românticos sim, mas igualmente letais em suas ações que incluem sexo grupal em público, a borrifação de urina em policiais, o desenho de uma pica de quase 70 metros de altura pintada em menos de 30 segundos, a encenação de um suicídio num supermercado (por que meu deus não pensei nisso antes?). Com direito a performance apócrifa com baratas enormes e vivas e a dissidência. Não é por menos que o serviço de inteligência russo os descreve como

“a left-wing radical anarchist collective whose central goal is to carry out PR actions directed against the authorities, and specifically against law enforcement officials with the aim of discrediting them in the eyes of the public. Branches of VOINA exist in all major Russian cities. The group’s sympatizers number approximately 3000. VOINA members maintain contacts with anarchist groups and individuals from all around the world holding left-wing radical views on art and on the world order (Italy, Slovakia, France, USA, South Africa, Greece)”.

Cartaz reproduz a performance de suicídio

Por isso as implicações legais para o pequeno Kasper. Mas ele não está sozinho, infelizmente. Outra criança pode ser vista nas imagens do grupo Voina: Katrina, 5 anos, filha de Taisiya Osipova. E adivinhem? Osipova está presa. O grupo Voina alega que foram plantadas drogas no seu caso. Vale completar a estória com a informação de que não há provas comtra Osipova que é casada com Sergei Fomchenkov, membro do comitê executivo do The other Russia, oposição serrada à elite russa.

E por que falar disso justamente hoje?

É que dia 27.12, às 10h (hora local) acontecerá a defesa de Osipova, na cidade de Smolensk. A acusação, como de costume, provavelmente argumentará pela alienação do poder parental de Fomchenkov e Osipova, à exemplo do que aconteceu aos pais de Kasper Sokol e de Ivan Aksenov, garoto de 6 anos cujo pai é jornalista. Como o grupo Voina tem grande atuação e alcance (até Bansky já colaborou financeiramente com o grupo), o mínimo que se pode esperar é alguma ação. Dedos cruzados e olho atento no site oficial do grupo e em seu fotolog.

Taisiya Osipova

 

 

 

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Thou shalt not kill

The Chernobyl Saviour icon portrays living and deceased Chernobylians with God, the Almighty Judge and Saviour. God saves souls – Chernobylians, rescuers, saved the world and life granted by the Lord. The people depicted in the icon are actually God’s human army. No icon has ever portrayed people with God. By shedding their own blood and not the blood of others, Chernobylians fulfilled God’s Commandment “thou shalt not kill” and were thereby granted this grace.

The icon was blessed in the Kyiv Pecherska Lavra by His Beatitude Volodymyr on the Feast of the Assumption of the Virgin Mary, in 28 August 2003. At the moment of its blessing, a miraculous occurrence took place. A dove flew over the icon and high in the sky, with no rain in sight, a rainbow appeared in the form of a nimbus. Then three crosses appeared, resplendent in the centre of the nimbus. This was witnessed by thousands of people. #

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I feel art love



Você também se apaixona por idéias e obras? Eu chamo de artlove e estou sentindo agora. Em breve faço um post decente sobre o trabalho do X1M4.

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Trend: o amor pela sua casa

Você certamente já ouviu falar no conceito de consumo aspiracional. É aquela modalidade de consumo em que se faz tripas coração para ter algo que geralmente não se pode comprar sem comprometer o orçamento. Como por exemplo sonhar em decorar sua casa igual a da revista ou do blogue quando isso seria impossível e insalubre para seu bolso. O chato é que 10 entre 10 blogues de decoração, grandes ou pequenos, são aspiracionais.

Daí você me diz: e os apartment therapy da vida? Aspiracional. Quem tem tempo para ficar se jogando no do it yourself? Quem tem paciência e talento pra ficar com a mão cheia de cola e tinta? Os bons resultados dependem de boas ferramentas (você tem todas?), tempo (hein?) e muita disposição. E ninguém aqui é Martha e nem Ophah, faizfavô.

A temporada de casas possíveis está oficialmente aberta!

Ame sua casa como ela é. Com ou sem móveis maravilhosos, com os cantinhos cheios de poeira e estórias. Com as paredes descascadas e bolinhas de pelos de seus animais de estimação. Não tenha medo de jogar suas revistas diretamente no chão ou ter caixas empilhadas em qualquer lugar. Só mantenha espaço suficiente para circulação de pessoas, animais e luz e pronto. Casas reais tem fios, cavaletes servindo de mesas. Paredes descacadas, pintura de artista na parede.

É trendy!



Imagens e pessoas por Stil in Berlin, linque djá.

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Trends 2012: prata

Depois que a Pantone declarou Tangerine Tango como a cor de 2012 o post com o anúncio foi, está e será reproduzido à exaustão pelos blogs de moda e tendências mundo afora. E vocês, marketing é tudo nessa vida:

Sophisticated but at the same time dramatic and seductive, Tangerine Tango is an orange with a lot of depth to it,” said Leatrice Eiseman, executive director of the Pantone Color Institute®. “Reminiscent of the radiant shadings of a sunset, Tangerine Tango marries the vivaciousness and adrenaline rush of red with the friendliness and warmth of yellow, to form a high-visibility, magnetic hue that emanates heat and energy.

Oi? Pausa para uma imagem com Tangerine Tango…

India Navy

December 2, 2011. An Indian naval commando dispenses orange smoke during a dress rehearsal ahead of Navy Day in Mumbai, India.

Então, todo esse significado lindo para o laranja… Apenas digamos que ele está #superinterpretando, diria Umberto Eco. Se a gente seguir essa linha lembrará que o Laranjão assim firme também é sinônimo de movimento, fast food, banco que acaba com a nossa vida, guerra. Ufa. Aquela cor que não deixa a gente respirar. Você vai pintar sua sala dessa cor mesmo? Vai comprar uma camisa ou calça e usar apenas uma temporada e depois aposentar?

Por conta do anúncio da Pantone vou aproveitar a ocasião e declarar que os trabalhos na Immaterial and Co, joalheria e casa de desenho imaterial cuja poderosa designer c’est moi, recomeçam em janeiro. E nossa cor continua sendo o preto imaterial, referência #000000. Por isso esse blogue não recomendará Tango Tangerine pra ninguém. E vou usar uma única foto da Tilda, que me deixa assim ocre com sua beleza, para ilustrar toda questão.

 Ah claro, reparem no sapato. Já foi periguete. Hoje é trend. Mas não abusa tá.

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Detalhes: as graças de Rubens

As Três Graças – 1639, Peter Paul Rubens (1577-1640)As Três Graças – 1639, Peter Paul Rubens (1577-1640)

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Trends 2012: Pintura menstrual

Reclama-se aos quatro ventos do estado bundalelê da arte pós-moderna ao sabor do vento. A reflexão é preterida caso exista a mínim via de interação imediata com a obra. Quanto maior a familiaridade melhor. Por exemplo, se você foi educado sob a tradição judaico-cristã, provavelmente reconhecerá imediatamente a imagem de um homem crucificado sangrando. Alguns se dirão até inspirados. Mas… E se o sangue fosse de uma mulher menstruada? Arrepiou? Corra!
Jennifer Weigell

Jennifer Weigell in The Life Blood Exhibit/Menstruation Art

Um dos episódios mais interessantes de Futurama é aquele em que se diz que o universo gira em torno da nave das personagens principais. Algumas pessoas se sentem confortáveis quando uma obra de arte faz exatamente o mesmo em torno de seus umbigos. Feliz ou infelizmente,  arte menstrual tende ao movimento: quem vê é colocado em órbita. É com essa finalidade que se faz arte com sangue menstrual. Jennifer Weigel responde suas dúvidas.

Why make art about menstruation?

Menstruation is still a taboo topic among many cultures. Many women are taught to be ashamed of their bodies and feel dirty when they are menstruating. There are still many myths surrounding menstruation, and both normal and potentially life-threatening conditions are too often not discussed, leaving individual women to wonder whether or not anything is wrong with their bodies whenever they experience any changes (sometimes even including menarche at the onset - many a girl has learned from a school nurse that what she is experiencing is normal). But menstruation shouldn’t been seen as something dirty, deviant or wrong - it is a natural function of the female body and provides evidence of women’s ability to carry children and to give birth to new life.

jenniferweigelart.com
The Menstruation Series

Julia Gallego resume a estória toda:

I made This is my Blood for the show, protesting against and reappropiating patriarchal blood.(…)The female performative body subverts the iconographic order.

Apesar de tudo isso, alguns críticos de arte tecem reticâncias para não dizer uma postura preconceituosa e irresponsável. As únicas características dessas obras, segundo essa crítica, seriam a ironia e a escala de impacto. E sobram estilhaços pelo fato de a obra não ser do grupo dominante. As pessoas gostaria dessas obras por causa dos autores e não pelo valor que tem. Suporte, elementos gráficos, composição, tudo isso é esquecido quando se fala em arte menstrual. Sobram

Irony and its scale of impact, then, are very important in postmodern art. Another measure of value the postmodern critic uses is that the work in  question be different – so long as an artist is different than the establishment their work gains automatic points. Critics see it as “daring to” stand apart from the “dominating” culture — menstrual fluids in beakers nailed to a wall as a kind of feminist protest against patriarchy, or so I assume.

Art, Postmodern Criticism and the Emerging Integral Movement

Homem na cruz não causa espanto.

Homem na cruz não causa espanto.

Certo,  imaginemos o seguinte exercício: pensar na cena crucificação por seu conteúdo irônico e sua escala de impacto. Já parou para pensar que as pessoas bebem o sangue desse homem sem prestar a menor atenção nisso ou se senirem enojada, escandalizadas… Muito pelo contrário, a idéia de beber o sangue de seu deus as congrega. Fica a pergunta: você beberia sangue menstrual? Você tocaria num objeto que tenha sido banhado nesse sangue?

Claro, são perguntas provocativas. Mas necessárias. Um dos grandes baratos da arte é a capacidade de revelar quem é você. Assumir que as únicas qualidades dessas obras seriam a ironia e a escala de impacto nada mais é que dizer aos quatro ventos que sua crítica é vazia. Que nem mesmo uma obra de arte evidente, ainda que complexa, é capaz de emprestar-lhe alguma valia.

É por isso que aposto em pintura menstrual e numa crítica menos bundalelê para 2012. Ainda que só para insiders.

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Trends 2012: balaclava

O movimento #ocupa deixa sua marca na arte e também na moda. Digamos que tudo vai a ontecendo assim, aqui e acolá. Ao mesmo tempo, antes e agora. Por conta disso, balaclavas são tendência para 2012 por inúmeros motivos: é um jeito gostoso de se aquecer do inverno, se coloridas divertem, dão um ar de mistério e ainda tem um je ne sais pas quoi de proibido, sobretudo se feitas pelos Brutal Knitting. Eis alguns artistas e suas balaclavas que considero como uma extensão da Street Art. Continue

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Trends 2012: não fotografar quadros

Na sua origem e em comparação com a pintura, a fotografia passou a ser considerada a melhor técnica de apreensão da realidade por que teria o menor grau de distorção. Contra fotos não há argumentos. Ou melhor, não haviam. Em tempos de fotoxop todo cuidado é pouco. Mas você já parou para se perguntar se fotografar é ver a vida (e uma obra de arte) como ela é?

Pensando nisso lembre que um amigo aqui do blog, editor do Fósforo, me recomendou o curioso blog Fotografando quadros:

Nada mais estranho do que a mania de ir a museus e exposições para fotografar as obras de arte. Fotogrando quadros se propõe a registrar mais este bizarro hábito moderno.

Mais que um bizarro hábito moderno, fotografar seria o jeito mais rápido e prático de se fazer anotações visuais, de olhar mais e melhor depois. E para quem não pode fotografar pessoalmente, os cliques alheios são uma ferramenta. Para os blogueiros de arte e educadores nem se fala. Porém, se você pretende ver mais e melhor uma obra de arte, a fotografia é uma péssima escolha. E vou te contar por que.

A multiplicidade do observador

Quando você se depara com uma obra acontece um fenômeno que todos experimentamos sem pensar muito a respeito: a multiplicação do olhar. Um único observador contempla com destreza uma quantidade enésima de dimensões. Anda em volta, olha por cima, por baixo, de perto, de longe. Tudo isso duplicado por conta de efeitos estereoscópicos, elevado ao cubo se pensarmos em quanto tempo faz isso. Porém, quando você fotografa uma obra, pretere esse efeito. A fotografia oferece um ponto de vista único que até pode ser genial, que o olho humano é incapaz de capturar mas… A recíproca também é verdadeira: você já se perguntou o que o a câmera fotográfica é incapaz de te mostrar?

A imensão arquitetônica da pintura

Além disso, uma vez escolhido o ângulo, a dimensão arquitetônica da obra se perde. É preciso lembrar que a aquitetura como dimensão primordialmente espacial (o que parece óbvio mas não é). Assim a obra de arte, mesmo de pequenas proporções, se transforma em objeto arquitetônico por estar imersa em espaço. Como as pessoas reagem a essa obra? Recuam, se aproximam, se amontoam? A obra interage com a arquitetura que a abriga. Isso só se observa ao vivo e a cores. Quando fazermos um recorte imagético da Mona Lisa, essa relação é perdida. Perdemos, por exemplo, a Mona Lisa como arquitetura.

A escala do objeto

A lente distorce a realidade a tal ponto que muitos se decepcionam ao encontrar uma obra ao vivo: como assim, é  isso? Não que a obra seja apenas isso mas é preciso considerar que a fotografia lhe rendeu atributos virtuais como tamanho, por vezes até mesmo uma cor ou textura. A lente capturou asssim o que é bem diferente de dizer que a obra é assim. Se bem que uma obra nunca é assim, seu olhar é que a registra de acordo com o que é importante paar você. a desavantagem de olhar através de uma lente são as camadas adicionais de efeitos luminosos a que é submetido o objeto.

Um ano sem fotografar quadros

Por conta disso decidi passar um ano sem fotografar quadros e lançar o convite como tendência para o ano que vem. Usarei fotografia alheia para fins didáticos, para catalogar, para exemplificar, mas nunca para ver uma obra. Fotografar uma obra de arte é como querer costurar estando fantasiado de Edward Mãos de Tesoura. Só funciona se os objetivos sejam outros que não costurar. E com ressalvas: aquilo que você viu não foi capturado por sua objetiva. Já pensou nisso?

Famoso rapper e a Mona Lisa: a fotografia do fato pictórico ou meninos eu vi.

Talvez seja por isso que muitos não fotografam a obra em si, mas sim a própria imagem ao lado da obra. Talvez seja a maneira mais simples de se guardar na memória o fato pictórico, aquilo que se sentiu ao abservar uma obra com os próprios olhos, sem uma câmera no meio.

Um abraço. Até a próxima trend.

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Trends 2012: sala de leitura e a casa de Jennifer Gustavson

Se você esteve no planeta nesses últimos meses e tem um tumblr provavelmente sabe o que é bookshelf porn. A mania é tão gostosa que deu vontade de tirar a televisão da sala e colocar um bando de livros no lugar. E olha que a tevê minha é charmosa: 29 polegadas de tubo…  A idéia é  receber as pessoas numa quase biblioteca. Sentar, falar de dos livros que se leu, dos que não se leu… Mas esse luxo, para mim, é uma escolha> É que assim né, só tenho uma sala de estar e ela vira sala de tevê ou sala de leitura.

Imagine só: um sofá de autor, uma fonte única de iluminação, uma poltrona DAR por Eames e Ray (que aliás não é tão cara assim), duas janelas e uma prateleira repleta de seus livros favoritos: está feito o convite para altos papos madrugada a dentro. Vez ou outra uma mostra dos trabalhos em andamento para amigos…

A única coisa chata é que a televisão vai para o dormitório do casal (ver filmes preto e branco deitada, olha que chato) ou escritório (o que não me parece uma boa idéia a menos que caiba também uma cama de casal no home office, mas falemos disso mais tarde).

Enfim…

A casa do artista é suporte. E isso se chama arquitetura.
Vide a obra de Jennifer Gustavson.

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