Mulheres negras são poderosas e perigosas: resistir por meio do discurso ainda é delito imperdoável

Diante de nossa fala você quer fazer crer que o racismo só acontece porque nós permitimos, que nos colocamos voluntariamente em posição de subalternidade. É nesse momento que você nos diz que somos vitimistas, que não temos autoestima. Defende que a violência imposta sobre nossos corpos acontece porque deixamos acontecer. Quando uma menina negra se acha feia por exemplo, você diz que a culpa é dela e não do shampoo que promete o liso extremo ou da televisão que privilegia fenótipos noruegueses, dinamarqueses. Afirma que não deveríamos nos importar, fazer barulho. Adivinha, a gente não compra essa também, rá!

Sobre a escola. Deixa-me passar com a minha alegria, a minha dor e a minha raiva.

Minha mãe conta que uma belo dia a professora resolveu falar de história africana. Isso há mais ou menos 60 anos atrás, veja você. Fizeram até uma espécie de parada com diversos alunos, cada um representando um país. Claro que nem preciso fazer suspense para dizer quem foi escolhida para representar a África. Mas o que deveria ser motivo de orgulho, foi um grande tormento. Ela sabia que isso apenas reforçaria a perseguição das outras crianças no dia seguinte. Ela é negra, era a filha da empregada, ela era um corpo estranho. Não adiantava se trancar no banheiro por horas a fio para ser uma boa aluna. Ela não deveria estar ali.

E não sou uma mulher? Sojourner Truth

Bem, crianças, onde existe muita confusão deve haver alguma coisa fora de controle. Eu acho que entre os negros do Sul e as mulheres do Norte, todos falando em direitos, em breve o homem branco estará encrencado. Mas sobre o que todos aqui estão falando? O homem lá adiante diz que as mulheres precisam ser […]

A luta contra o racismo não deve abrir portas para quem sempre teve a permissão de entrar: sobre a contratação de Patrícia Moreira pela CUFA

Ser educada pela CUFA não destituirá Patrícia das vantagens que lhe são concedidas em função de sua branquitude, apenas as reforçam. Que pessoa negra no mesmo lugar dessa moça receberia atenção e compaixão da mídia, seria tratada com compreensão, poderia argumentar que foi motivada pelo calor do momento e ser acolhida? Por acaso Angélica Aparecida Souza gozou na mesma compreensão ao argumentar que não aguentava ver o filho de 2 anos passar fome e por isso “roubou” um pote de manteiga? Ao invés disso, “Angélica passou 128 dias na cadeia de Pinheiros”. É disso que estamos falando. Da permissão que se tem de chamar alguém de macaco e ainda jogar a responsabilidade pela resolução do conflito nas mãos das vítimas. Antes o Aranha, agora o Movimento Negro.

Mais uma blackface ou o humor como tortura

Rodrigo Sant’Anna tem feito fortuna e a alegria da audiência racista numa das principais emissoras do país reproduzindo racismo. Correm boatos que o Zorra Total vai sair do ar, graças a deus. Que o diabo, esse lindo, carregue com ele Valéria Bandida e Dona Adelaide. Mas em tempo de Spikes Capotes, não há respiro. Ontem mesmo, no Prêmio Multishow de Horrores Humor, o ator branco Thor Vaz se apresentou numa das mais horrendas blackfaces que já tive o desprazer de ter notícia porque tem como objeto a nossa luta de mulher negra diante da violência policial.

Foi peor do que a gente imaginava ou 10 motivos (óbvios) para NÃO ver “O sexo e as nega”

A série tem como premissa a desumanização da pessoa negra. Não cria visibilidade, muito pelo contrário. Nos reduz, rouba nosso protagonismo, nos silencia, animaliza. É portanto de caráter racista sim. isso fica evidente no modo como as personagens são tratadas por pelas personagens brancas. Numa das cenas uma “patroa” diz que ninguém irá pensar que uma pulseira toda cravejada de diamantes pode ser verdadeira, já que será usada por uma mulher negra. E ainda vão dizer que é assim que se combate o racismo, mostrando na tevê. Sei.

A conexão perversa entre o estereótipo e o racismo.

Meninas Black Power abalando estruturas: Que possamos matar, exterminar, todo preconceito presente em nossas práticas cotidianas. Que possamos fazer um exercício diário de olhar o outro com olhares menos acusadores, menos perversos, que os dedos apontem cada vez menos e que possamos entender que o que faz de nós seres humanos diferentes e singulares são […]

Exibir o negro para o ganho do branco. Um post que não é sobre “O sexo e as nega”. Se bem que dá no mesmo.

“O sexo e as nega” faz uso do mesmo subterfúgios, tanto que a defesa dos dois autores (sic) é praticamente a mesma: desumanização, transformação de nossa existência em objeto de estudo e de apreciação para entretenimento do branco e em detrimento do negro, sem promover qualquer benefício ou visibilidade. As falas de Miguel Falabella e Brett Bailey se confundem, irmanados que são pela sua loirice (opa, pera) branquitude acrítica cujas intenções é salvar o negro. Ah, essa gente bonita que só emociona o coração da gente a ponto de fazer nossos olhos sangrarem.

Um Egito Negro incomoda muita gente

Há quem diga com bastante cinismo que pensar num Antigo Egito Negro é ~tudo confusão com os núbios~, uma civilização negra também próxima ao Nilo. ~Não eram negros, mas brancos de pele morena~. Sim, nesses termos e com essas palavras, pode pesquisar. Parece coisa do século 19 mas não é. Um erro dessa natureza e magnitude não acontece por má fé ou ignorância, só a irresponsabilidade intelectual e o racismo explicam. A proposta aqui é outra, tomar como ponto de partida essencial A origem dos antigos egípcios de Cheikh Anta Diop, texto que integra a coleção História Geral da África (Unesco).

Que a intersecção seja radical, que a radicalidade seja a própria intersecção

E se, somente se, o feminismo fosse a luta contra “o sexismo, a exploração sexista e a opressão” e não a caça às mulheres que são diversas, contra aquelas que lutam por um feminismo plural assim como nós? E se, para ser dito radical, o feminismo tivesse como objetivo o acolhimento de todas as mulheres em suas demandas tão urgentes e variadas? Isso para mim é ser radical e nesse sentido, sou. Que a interseção seja radical, que a radicalidade seja a própria interseção. Não há outro caminho possível ou estaremos do lado errado.

Onde está Elizabeth Gomes da Silva?

Elizabeth Gomes da Silva, para alguns ela é apenas a mulher do Amarildo. Não para nós, que também somos possibilidades limitadas pelo racismo, preconceito de classe, de lugar. Para nós ela é Elizabeth Gomes da Silva, mulher negra, mãe, guerreira. Agora, também desaparecida, não se sabe em quais circunstâncias. Para nós ele é Amarildo Dias de […]

A prática da farsa persiste: eram os egípcios homenzinhos verdes?

Imagina se em todo o material produzido sobre essa civilização, fosse adotada a estética negra de Michael Jackson em Remember This Time com Iman Abdulmajid, Magic Johnson e Eddie Murphy? Imagina se fosse amplamente respeitado o depoimento de Heródoto, Aristóteles, Estrabão e Diodoro de Sicilia, que descreviam os egípcios como um povo de pele negra. Imagina se a gente sai por ai dizendo que Osíris quer dizer “o grande negro”, que Isis quer dizer “mulher negra”, que em seu culta está a origem da adoração de Maria? Imagina, mais uma vez, se fosse alardeado que obras como a estátua de Nofret e Ra-Hotep são mentiras para satisfazer uma branquitude racista desesperada tal qual o clipe de Kate Perry?

A ausência como discurso na abertura da copa

Limitados por sua impossibilidade de falar sobre aqueles a quem excluiu, a FIFA insistiu numa visão de mundo eurocêntrica e convenientemente racista. Foi preciso apenas reeditar a ideia de que “a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados (…) Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem! Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente.” Tudo com a maior brevidade possível, porque o assunto não lhes permitia quaisquer aprofundamento.

Dia mundial do consumidor – O olhar sanguinário do vigia

Hoje é o Dia mundial do consumidor, aquele que é definido pelo ato de pagar por determinado produto ou serviço. Na teoria é como se a mão que recebe fosse cega, desde que a caixa registradora continue funcionando muito bem obrigada. Como se, dadas as mesmas condições de pressão e temperatura, a oferta de produtos e serviços fossem iguais para todos os grupos etnicorraciais. Apesar de essa ser a propaganda, sempre estivemos caminhando exatamente no sentido oposto. O racismo costuma preceder qualquer interesse que negros possamos suscitar a anunciantes, empresas e empreendimentos.

Trabalho doméstico: ‘ela é da família’ não é amor, é navalha na carne

A lógica que constroi a ideia de que o trabalho doméstico é feminino é a mesma que o direciona para a mulher negra. O machismo tem um irmão e o nome dele é racismo. Um dos primos de primeiro grau atende pelo nome de classismo. Quando estão todos de mãos dadas, são as mulheres negras que sofrem. Mais ainda quando a opressão se dá portas adentro, espaço tão hostil à urbanidade, onde estamos vulneráveis. Porque algumas mulheres e alguns trabalhos são mais importantes que outros a ponto de ser lucrativo pagar alguém, quase sempre negra, para emancipar a patroa quase sempre branca.

Esse texto é sobre tudo isso. Não é sobre família. É sobre outra coisa.

Conservadores se unem contra as cotas raciais

Esse post reproduz reações aos projetos de cotas raciais. Só o creme. Se você acha que falou alguma coisa, envie sua sugestão para acharolastra@live.com! Cotas no Parlamento, por Hélio Schwartsman SÃO PAULO – Não me parece que haja muita possibilidade de a PEC que estabelece cotas raciais no Legislativo ser aprovada, mas o tema rende uma […]

Num país racista, educar para as relações etnico-raciais não é uma opção. Ou imagina o que aconteceria se Walcyr Carrasco aproveitasse a falsa polêmica para falar sobre racismo e infância.

Alguns dirão que é um ato de proteção, com o cabelo cortado o menino não “sofreria tanto preconceito” nos ambientes que irá frequentar. Isso pra mim não é amor. É se esquivar de seu próprio racismo. O problema não é aquele que aponta o dedo, que chama de feio, que acha sujo, O problema é o cabelo do menino que significaria uma série de atributos negativos. Não do branco racista que não sabe lidar com a beleza de nossos cachos e crespos. Mais uma vez, isso não é amor. É racismo Walcyr Carrasco.

Sobre os mestiços no Brasil

Indigestivos Oneirophanta retoma seus trabalhos com um texto dedicado a todos aqueles que acreditam que o Brasil nunca foi um país institucional e estruturalmente racista. Esse texto foi apresentando durante o I Congresso Universal das raças em 1911 quando “os brancos, cuja consciência desperta com a ideia do dever, convidam os negros e os amarelos, […]