ScreenRant
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10 referências para assistir “Nós”, de novo e de novo

Jordan Peele transforma quase qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, em cinema da melhor qualidade.
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Não que estejamos contanto mas estamos…

Quero falar de um cara que admiramos pra caramba.

Jordan Peele transforma quase qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, em cinema da melhor qualidade. Mesmo na televisão. E antes de ver seus filmes, quis saber um pouco sobre seu trabalho ao lado de Keegan-Michael Key, que a gente já amava desde os idos tempos dos Vídeos Divertidos do Animal Planet. E fiquei extasiada com a genialidade de Flicker (Peter Atencio, 2012).

Então é bom começar a contar.

2. Demorou mas as referências estão aqui.

I. DUAS MÃOS. A mão que mexe a colher de chá com a ponta dos dedos nos créditos de abertura é uma marca registrada do autor e indica o tamanho do abismo que separa a realidade tal como conhecemos e aquela imaginada pelo autor. A imagem vem do conto fantástico A pata do macaco e do filme Corra!, o primeiro longa do diretor.

II. DUAS ATRIZES e UM PUNHADINHO DE RACISMO A MAIS. A expressão apavorada de Adelaide Wilson (Lupita Nyong’o) é a mesma de Ola Ray em Thriller (Michael Jackson, 1983). Ao ser perguntado sobre essa referência, Peele disse (ing) que se tratava de uma obra clássica sobre a dualidade e a camiseta é um modo de estabelecer o tom dos acontecimentos. Em tempo, Michael Jackson foi o primeiro negro a aparecer na MTV. Mas o CEO da CBS, Walter Yetnikoff, precisou ameaçar o canal até que exibisse Billie Jean (ing). A emissora alegava (ing) que não era racista e se dedicava a clipes de rock.

III. DOIS FILMES DE HITCHCOCK. Falando em CBS, ela é a proprietária da marca Além da Imaginação ou Twilight Zone, na qual nossa musa tem trabalhado. O roteiro do piloto da série de 1959 havia interessado Alfred Hitchcock que por sua vez definitivamente inspirou Rod Sterling e Peele. Ele cita especificamente Um Corpo Que Cai (Vertigo, 1958) e Pássaros (The birds, 1963), um filme que não consigo ver até hoje. Só de medo.

IV. DOIS APRESENTADORES NEGROS. Peele não é o primeiro a apresentar Além da Imaginação. Até onde a gente sabe, o primeiro foi Forest Whitaker em 2002. Até aqui nada de perturbador. E seu fosse você deixava como está, o esquete de Key e Peele sobre o Bebê Forest é perturbador demais para ser mencionado.

V. DOIS LIVROS. A gente já sabe que Peele ama terror. E que ama Além da Imaginação. Um dos episódios favoritos do diretor e dos fãs da série é da série clássica, Imagem no espelho (Mirror image, 1959) e fala justamente do tema do duplo. Se você também morre de medo disso não deixe de ler O duplo (Fiódor Dostoievski, 1846) e O horla (Guy de Maupassant, 1886).

VI. DUAS CAMISETAS. As camisetas Howard e Thó respectivamente usadas por Gabriel “Gabe” Wilson e Zora Wildon são uma referência à uma universidade negra história e à expressão que significa “qualquer coisa” ou “tanto faz”.

VII. DUAS MÚSICAS. Além da chave reserva do lado de fora da casa, o filme mostra outras branquices. A dualidade entre as duas famílias é marcada pela trilha sonora com Good vibrations (The beach boys, 1966) e Fuck tha police (N.W.A.,1988).

VIII. DUAS INFÂNCIAS. O filme Esqueceram de mim (Home alone, John Hughes, 1990) é citado com tom de escárnio e lança uma pergunta: porque Peele fez isso? Bem, Adelaide é uma criança da geração X e tem quase a mesma idade do diretor e de Kevin McCallister. Nesse detalhe que reside a chave do sucesso (ing). Os dois filmes falam de uma casa invadida. Só que apenas em apenas um deles as crianças precisam se animalizar para sobreviver.

IX. O DIABO MORA NOS DETALHES. A tesoura é um símbolo de dualidade. A luva em uma das mãos e a cor vermelha dos macacões é uma referência à Michael Jackson, “o santo padroeiro da dualidade” segundo (ing) o Pop Sugar. O detalhe é a roupa branca (ing) de Adelaide fica quase que completamente manchada de vermelho quando o filme acaba.

X. DOIS MENINOS. Essa não vou contar, até mesmo porque eu mesma não percebi. Mas repare em Jason e seu duplo, Pluto. E se você não botar reparo em nada, volta aqui (ing).

Claudette Barius/Universal

Quer mais? Tem!

Jordan Peele e o terror da branquitude quando a pata do macaco escreve.

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