A Parada Gay não é mais a mesma?

As perguntam se multiplicam. Por que temer o caráter carnavalesco do evento? Por que uma manifestação LGBT deveria ser casta e puritana? Por que a luta deveria sublimar toda e qualquer manifestação da sexualidade?

Originalmente publicado em 09/06/2012 no Biscate Social Club.

A tristeza acompanha as notícias vindas de São Petersburgo: a paraga gay russa será, até o momento e apesar do clamor dos defensores dos direitos civis, proibida pelos próximos 100 anos em nome de uma sociedade mais ***civilizada***. Nesse momento, a luta contra homofobia no país significa o direito de protestar pelo direito de protestar. Aqui a situação é parecida.

Guardadas as devidas proporções, recentemente enfrentamos situação semelhante com a Marcha da Maconha. Felizmente, o STF considerou inconstitucional a repressão contra manifestações públicas. Temeroso pensar que precisamos chegar a essa instância para garantir um dos direitos mais básicos do modelo democrático em que vivemos.

Esse é o contexto da 16ª edição da Parada Gay 2012 que acontece amanhã em São Paulo. Porém, o evento vem sendo erroneamente criticado pelo suposto esvaziamento político e acentuado alcance econômico. A data, antes marcada pelo protesto, teria se transformado numa ocasião de diversão, pegação geral, sexo livre, promiscuidade. Coisa que não ***combina*** com a luta pelo casamento igualitário e a defesa da ***família***.

As perguntam se multiplicam. Por que temer o caráter carnavalesco do evento? Por que uma manifestação LGBT deveria ser casta e puritana? Por que a luta deveria sublimar toda e qualquer manifestação da sexualidade? E se os manifestantes não podem pegar geral em seu próprio evento, quando poderão? Não se trata apenas de moral e bons costumes. Pegar geral e irrestritamente é fazer política, biscates sabemos.

E assim temos avançado. Há conquistas a  celebrar, terreno a ser defendido. Na base de muito pancake, por que não? Porque nunca será apenas uma oportunidade para ver e ser visto. E mesmo que seja, teremos motivação política suficiente: lutamos pelo direito de existir numa sociedade que nos quer (femininas, masculinas, transsexuais ou assexuais) invisíveis a todo custo, no máximo submissas e caricatas.

A boa notícia (e a má) notícia é que todo manifestante LGBT sabe disso.

Então que venham muitos beijos, glamour e pegação.

Enquanto incomodar muita gente, é porque estamos no caminho certo.