Arte

Considerações finais sobre a Mostra Ingmar Bergman

By July 16, 2012 No Comments

Ver um filme de Bergman é muito diferente do que pensei. Nem tão complicado, nem tão fácil. Foi (no passado sim, porque é preciso refrear até mesmo as grandes paixões) um relacionamento muito íntimo que se conformou às nossas trajetórias e a capacidade de se deixar levar, envolver. Confesso que teria sido melhor evitar quaisquer juras impensadas e viver um filme de cada vez. Infelizmente não foi assim que aconteceu comigo, tive de me ajustar à programação da Mostra Ingmar Bergman no @ccbb_sp. Mas isso nem foi o pior. A maior dificuldade foi ter de garimpar os filmes rede afora e assisti-los em tela reduzida no youtube, no máximo na minha velha TV de tubo.
Ainda assim, diria que me apaixonaria novamente. Foram 14 filmes resenhados em um mês com a ajuda da Niara e do Ed Cohen, muita grata minha gente. Consegui ver 15 filmes, resenhando 12, uma média de um Bergman a cada dois dias, ufa. Uma boa média se consideramos a densidade dos temas abordados: conflito entre irmãos, suicídio, a morte e sua eminência, estupro, relacionamentos esvaziados, ateísmo, crença e descrença. Falando sobre mulheres que buscam e andam, frutas silvestres, o ruminar do tempo e luminárias maravilhosas. Tudo geralmente em preto e branco ou quem sabe em vermelho esfuziante. O silêncio e a incapacidade de comunicação. E muito de Max von Sydow, Ingrid Thulin, Liv Ullmann, Bibi Andersson e Gunnar Björnstrand. Um pouco de comédia e Molière. Isso tudo mas não somente. Ainda falta muita filmografia para ser vista segundo o Bergmanorama:
1946: Crisis (Kris)
1946: It Rains on Our Love (Det regnar på vår kärlek)
1947: A Ship Bound for India / The Land of Desire (Skepp till Indialand)
1948: Night is My Future / Music in Darkness (Musik i mörker)
1948: Port of Call / Harbour City / Seaport (Hamnstad)
1949: The Devil’s Wanton / Prison (Fängelse)
1949: Three Strange Loves / Thirst (Törst)
1950: To Joy (Till glädje)
1950: This Can’t Happen Here / High Tension (Sånt händer inte här)
1951: Summer Interlude / Illicit Interlude (Sommarlek)
1952: Secrets of Women / Waiting Women (Kvinnors väntan)
1953: Summer with Monika / Monika (Sommaren med Monika)
1953: Sawdust and Tinsel / The Naked Night (Gycklarnas afton)
1954: A Lesson in Love (En lektion i kärlek)
1955: Dreams / Journey into Autumn (Kvinnodröm)
1955: Smiles of a Summer Night (Sommarnattens leende)
1957: The Seventh Seal (Det sjunde inseglet)
1957: Wild Strawberries (Smultronstället)
1958: Brink of Life / So Close to Life (Nära livet)
1958: The Magician / The Face (Ansiktet)
1960: The Virgin Spring (Jungfrukällan)
1960: The Devil’s Eye (Djävulens öga)
1961: Through a Glass Darkly (Såsom i en spegel)
1963: Winter Light / The Communicants (Nattvardsgästerna)
1963: The Silence (Tystnaden)
1964: All These Women / Now About These Women (För att inte tala om alla dessa kvinnor)
1966: Persona (Persona)
1968: Hour of the Wolf (Vargtimmen)
1968: Shame / The Shame (Skammen)
1969: The Rite / The Ritual (Riten)
1969: The Passion of Anna / A Passion (En passion)
1970: The Faro Document 1969 (Fårö-dokument)
1971: The Touch (Beröringen)
1972: Cries and Whispers (Viskningar och rop)
1973: Scenes from a Marriage (Scener ur ett äktenskap)
1975: The Magic Flute (Trollflöjten)
1976: Face to Face (Ansikte mot ansikte)
1977: The Serpent’s Egg (Das Schlangenei)
1978: Autumn Sonata (Herbstsonate)
1979: The Faro Document 1979 (Fårö-dokument 1979)
1980: From the Life of the Marionettes (Aus dem Leben des Marionetten)
1982: Fanny and Alexander (Fanny och Alexander)
1984: After the Rehearsal (Efter repetitionen)
1997: In the Presence of a Clown (Larmar och gör sig till)
2003: Saraband (Saraband)
E, ao exemplo do Especial Robert Louis Stevenson, não consegui falar sobre tudo o que prometi. Ficaram de fora filmes especialíssimos como Fanny e Alexandre, Morangos Silvestres e o Sétimo Selo. Foi obra do acaso mas não somente. Quero falar desses filmes quando estiver menos envolvida com esse amante tão generoso e exigente que é Ingmar Bergman. É preciso respirar, dar um tempo e depois voltar. Mas… Que tipo de aventura me espera depois desses dias tão intensos de dedicação? Um novo amor, outro especial? É claro que estou morta de vontade de falar sobre o cinema de Akira Kurosawa (comprei Sonhos), Molière, Edgar Allan Poe. Quem sabe o velho Bukowski ou Dostoievski.
Mas muita hora nessa calma.

Charô Nunes

Esses são textos de Charô Nunes, publicados em diversos blogs desde 2008, quando se inicia sua trajetória rumo à escrita e à intelectualidade. Alguns são textos inacabados, que serão publicados sem qualquer revisão ou adição.

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