Cultura & Sociedade

Duda Bundchen, estilista e princesa da vida real

By August 18, 2012 No Comments

Quando o assunto é roupa, Duda não tem dúvidas ao eleger os vestidos compridos e com babados como o seu look preferido. Não por acaso, sua princesa favorita nos contos de fadas é a Bela Adormecida. O rosa e o azul são suas cores favoritas. E, como criança moderna, que cresce num ambiente em que os limites de gêneros perderam a rigidez de antigamente, Duda diz não acreditar na suposta divisão de “rosa é para meninas e azul, para os meninos”. Vaidosa, Duda falou que gosta de maquiagem e usa os produtos de beleza com a aprovação dos pais, Raquel e Paulo.

Em 1987 fui ao cinema ver um filme chamado Manequim. Kim Cattral interpretava a mulher/boneca dos sonhos de  Andrew McCarthy: sempre alegre, bem maquiada e vestida, disponível e feliz. Agora imagine se as marcas de roupas para crianças pudessem avivar as bonecas loiras das prateleiras? Bem eles não precisam: os pais de Duda Bundchen emprestam sua infância, seus cachos dourados e seu discurso surpreendente maduro para promover o consumo infantil.
A top model mirim também assina, aos cinco anos, a nova coleção primavera-verão da marca Brandili que “será marcada pelo uso de tecidos ecológicos, já que esse é um tema de grande importância para Duda, sua família e para a própria marca. Além disso, parte da renda dos produtos da coleção será revertida a instituições que ajudam crianças especiais.”. Tem como ser mais politicamente correto e asséptico em termos de sustentabilidade ecossocial?
A não ser por um detalhe menor de maior importância. Duda, com sua loirice inocente, representa um estereótipo de beleza irreal e excludente, ainda que seja o sonho de consumo entre muitos pais que podem escolher a aparência dos filhos: cerca de 38% das pessoas rejeitam crianças negras quando o assunto é adoção. Num país que recusa em se enxergar como afrodescendente, não é de se estranhar que a reprodução do preconceito seja construído desde muito cedo.
Para terminar, deixa eu aclarar (hohoho) a situação: não acredito que a cidadania possa ser construída por meio do consumo (muito menos substituída por ele) mas acredito (e muito) no boicoite. Aqui, por exemplo, não compramos roupas e brinquedos de marca, evitamos o jogo bicolor do rosa e azul e não nutrimos anseios de que nossa filha se torne uma princesa da vida real. Felizmente ela está muito longe disso, acaba de completar um ano e segue mais sapeca que nunca.
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E olha que ***nem*** entrei na questão da publicidade para o público infantil que é assunto pra mais de metro…
Beijo e até o próximo post. ^^

Charô Nunes

Esses são textos de Charô Nunes, publicados em diversos blogs desde 2008, quando se inicia sua trajetória rumo à escrita e à intelectualidade. Alguns são textos inacabados, que serão publicados sem qualquer revisão ou adição.

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