Elida

Escrito em 7 de maio de 2017.

Publicado no dia em que ultrapassamos as 300 mil mortes.

Alguns dias são de profundo esvaziamento.

Como se minha pele fosse uma trama permeável tudo tudo atravessa mas nada permanece, pensou Elida. Estava na cama mas sentia toda a dureza do assoalho de madeira falsa. Era exatamente assim que se sentia vendo que mais uma vez fracassara. 

O grande problema era esse, sua sequidão por querer deixar sua marca no mundo enquanto era apenas marcada por ele. As pessoas inham e vinham mas qual quê ninguém de fato prestava muita atenção naquela menina de canelas finas e sujas de olhos brilhantes ali esperando.

Mais tarde também esperava. Algum amor, algum trabalho, alguma possibilidade. Elida talvez esperasse por si mesma sem saber. Quando chegaria o dia em que andando na rua se sentiria bem dentro da própria pele? Quando seria ela a preta que dança no meio da pista sorrindo com as amigas sem pensar demais?

O que você acha?