Só o creme

Esquenta da Mostra: O dia que Mishima escolheu o seu destino

By October 14, 2012 No Comments

A 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo vai começar e vendo em sua lista de filmes já confirmados, um me chamou atenção: 25/11 O Dia em que Mishima Escolheu o Seu Destino (11.25 Jiketsu no Hi: Mishima Yukio To Wakamono-Tachi), do diretor Koji Wakamatsu.
Yukio Mishima se tornou um dos meus autores favoritos, mas o que chamou minha atenção incial para ele foi toda a controvérsia de ele ser gay e o fato de dividir a mesma nacionalidade (no meu caso, a descendência). Para quem cresceu sendo gay e japonês, descobrir um autor assim aguçou a minha curiosidade.
Mishima, cujo nome verdadeiro era Kimitake Hiraoka, teve uma infância difícil: quando criança foi separado de seus pais e viveu com sua avó paterna até os seus doze anos. Durante esses anos era super protegido pela sua avó isolando-o de outras crianças. Ao retornar a viver com seus pais, deu seus primeiros passos literários escondido de seu pai que não aprovava a escolha do filho. Aventurou-se num emprego no Ministério das Finanças, mas convenceu seu pai a aceitar sua escolha literária.
Assim, aos 24 anos, publicou seu primeiro livro: Confissões de uma Máscara (Kamen no Kohuhaku), a história num tom autobiográfico de um jovem homossexual que tem que se esconder atrás de uma máscara para saciar a sociedade em que vive. Com esse livro, Mishima tornou-se uma celebridade, não só no Japão, mas também na Europa e nos Estados Unidos. Ele ainda escreveu ensaios, contos e peças. Atuou, dirigiu e foi modelo também.

Mishima discursando para os soldados após a invasão de Ichigaya.

Os rumores sobre sua sexualidade nunca foram confirmadas oficialmente, embora sabe-se que Mishima frequentava bares gay e tinha um caso com o escritor Jiro Fukushima. Porém, sua família (Mishima casou-se e teve dois filhos) mantêm esse detalhe o mais privado possível.
Se sua vida foi conturbada, sua morte também foi. Após invadir o campo Ichigaya com o pretexto de visitar o comandante, Mishima e seus seguidores do Tatenokai, se trancaram na sala do comandante. Mishima foi até a varanda discursar para os soldados que se ajuntavam, sabendo do acontecido. Mishima queria inspirar os soldados do seu nacionalismo, porém não surgiu efeito. E como manda a tradição japonesa do bushido, se você falha no seu objetivo, você deve cometer o seppuku, que traduzindo vagamente, seria cometer suicídio. E é nesse último dia que Wakamatsu se concentra em seu filme e podemos dizer que quase cai como uma luva, já que Wakamatsu também adora fazer filmes com mensagens políticas.
E se tudo conspirar a favor, sim, lá estarei no cinema para ver Mishima em seu último dia.
Imagens via: Wikipedia.

Quer saber mais? O blogueiro ama e recomenda:

Confissões de uma máscara, Mar inquieto  e O pavilhão inquieto.

Charô Nunes

Esses são textos de Charô Nunes, publicados em diversos blogs desde 2008, quando se inicia sua trajetória rumo à escrita e à intelectualidade. Alguns são textos inacabados, que serão publicados sem qualquer revisão ou adição.

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