Esse branco sou eu? Banzo, Esquecimento e Memória.

O meu exercício aqui é tentar caminhar por sobre as obras que revisito e sobretudo as pegadas deixadas por Beatriz Nascimento, neste texto que infelizmente não encontrei online. O que acontece quando nos deparamos com o absurdo racista que procura nos transformar em baratas, metáforas para a construção de nossa desumanidade.

A RECORDAÇÃO

Eu acredito que eles descobriram como fazer uma cópia do corpo, mas não da alma. A alma continua sendo uma, compartilhada por duas. Eles criaram os Ancorados para poder controlar os que estão acima. Como fantoches. Mas eles falharam e abandonaram os Ancorados. Por gerações, os Ancorados continuaram sem direção. Todos enlouqueceram aqui. E então, havia nós. É o que diz Adelaide.

E nós, mais dia ou menos dia, vamos lembrar como aconteceu com a personagem ancorada ou duplicada, interpretada por Lupita Nyong’o. Subvertendo também a ordem, na medida em que são a oposição da casa-grande, constituindo-se um pólo ameaçador., como disse Conceição Evaristo. Somos suspeitos. É fundamental que a branquitude não apenas estabeleça esse conflito, circunscreva a raiva dentro de cada uma de nós, dirigida à nós mesmas. Essa é a finalidade da pergunta do amigo de Nascimento. Afinal, o que significaria a aliança entre a Vermelha e Adelaide?

Talvez seja disso que se trata o que falou Viviane Gomes ao afirmar que não podemos fazer por menos que retrata a necessidade de ruptura das correntes com que nos anconram à branquitude. Um chamado à Memória, aquela que se constrapõe às violências que dirigimos à nós mesmas, quando ancoradas pela branquitude.

Precisamos lembrar que Cecil Gaines e eu filho não são inimigos.

A realidade pode ser compartilhada entre Adelaide e Vermelha.

O que você acha?