Cultura & Sociedade

Guest post: São Paulo, capitania hereditária do PSBD

By March 4, 2012 No Comments

A notícia da oficialização da candidatura do Serra aliada a divulgação dos 30% de intenção de votos mostra, ao meu ver, como São Paulo (capital e estado) se tornaram feudos do PSDB. Antes que os patrulheiros ideológicos de plantão começem a gritar “petista!” já adianto que não é um post a favor deste ou daquele partido e sim sobre essa situação de capitania hereditária que vive São Paulo (aliás não acredito em nenhum dos partidos vigentes).

Desde 1995 o governo do estado é de alguém do PSDB, geralmente logo depois de não conseguir se eleger presidente. Ou seja: o estado virou o “plano B” dos candidatos. Podem inclusive hoje colocar como profissão na carteira de trabalho : “Governador de São Paulo ou candidato a governador”.
Me espanta esse misto de conservadorismo e apatia do eleitorado paulista. Parecem dizer algo como : “Bom, pelo menos são os sujeitos de sempre”. Atualmente parece que não ter um sujeito do PSDB (ou PSDB genérico, como o Kassab) num dos governos seria o equivalente a falar que a terra não é o centro do universo nos tempos da inquisição (com as consequências equivalentes).
“Mas ganha porque faz um bom governo” as pessoas podem argumentar. “Bom” onde? Vamos nos limitar a três coisas básicas: educação, saúde e transporte. Qual dessas áreas teve substancial melhora ao longo dos anos? E olha que não digo piora, porque fazer a mesma coisa sempre, basta nomear um software para governar. Digo melhora no sentido mudança de paradigma, impacto histórico, admiração dos adversários, etc…
Nada disso acontece. É um marasmo impressionante. Ou, um conformismo e descrédito sem precedentes. Ou talvez a idéia seja essa mesmo: elege-se alguém para deixar tudo como está, porque “não piora” e podemos ter os mesmo assuntos para reclamar sempre. Deve ser bom para o jornalismo : formam-se especialistas no candidato J ou G.
“Não piora”? É largamente conhecida (e inquestionável) a piora na educação de São Paulo. Os políticos podem recorrer ao tradicional recurso de as administrações passadas? Não tem como! Fica um silêncio absurdo ou recorre-se a manipulações estatísticas peculiares (afinal, quem controla os números, controla a realidade, diria o pessoal de contabilidade). Cria-se o paradoxo de continuar se elegendo para corrigir “pequenas falhas” e utilizar as “lições aprendidas” para seguir em frente. Ou seja: para continuar no poder é preciso criar problemas.
E quando esses sujeitos morrerem (segundo a expectativa média de vida dos brasileiros, isso não está muito longe) vai se continuar a votar no partido ou se vota hoje nas pessoas?

Outra coisa que ressalta essa situação sui-generis é o fato desses dois polos de alternância não serem exatamente os melhores amigos. Quando muito toleram-se porque tomam puxões de orelhas públicos, mas não me lembro de um chamando o outro para um churrasco de final de semana, ou para jogarem uma partida de playstation juntos.
Parece que ainda teremos que conviver por algum tempo com a singularidade que é essa alternância “Zeraldo” (José + Geraldo)….

Charô Nunes

Esses são textos de Charô Nunes, publicados em diversos blogs desde 2008, quando se inicia sua trajetória rumo à escrita e à intelectualidade. Alguns são textos inacabados, que serão publicados sem qualquer revisão ou adição.

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