Cultura & Sociedade

James Heineken versus Maria Claybom: você engole essa?

By October 22, 2012 No Comments

Um filme como esse custa 118 milhões para ser feito. E custa outros 200 milhões para ser vendido. Então os 200 milhões tem de vir de algum lugar. Inserção de produtos, ainda que você goste ou não. As coisas são como são. Heineken nos deu uma tonelada de dinheiro para estar no filme. Sem eles, talvez não pudéssemos vendê-lo.
Daniel Craig

E de pensar que no post passado falei sobre o compartilhamento de conhecimento. Uma sociedade Borg é assim, transforma as dificuldades em oportunidades de negócios. De qualquer forma, alguma coisa está muito errada nesse modelo de venda em que pouca gente lucra tanto num ramo de negócio que parece sem sentido, o de fazer a informação não estar disponível a todos. Será que a distribuição seria mais lucrativa se fosse mais horizontal? Essa é uma das perguntas.
A outra é: quem acredita que James Bond toma cerveja? E quem poderia desacreditar?
Trata-se de uma inserção de produto praticamente perfeita, completamente adaptada ao vocabulário da personagem. James Bond tem como grande trunfo ser um super homem crível. Ele não voa, mas tem super poderes, come a mulherada e ainda bebe seus gorós segundo o script óbvio a que deve se submeter os candidatos ao posto de macho alfa. A gente fica sem saber se a bebida lhe confere todo o poder ou se uma ou duas cervejas não fazem mal a ninguém.
Vou aproveitar a oportunidade e te apresentar uma versão da mulher alfa.

 Hoje em dia você é muito boa em tudo. Por isso a Claybom mudou. A nova Claybom agora também é boa em tudo. Boa para realçar o sabor dos pratos. Boa para dar mais sabor ao pão.

Ela é boa para passar a manteiga no pão de seu homem (ajudar nos trabalhos domésticos é para os fracos) e boa para cozinhar. De ser também mais saborosa, vai saber. É uma campanha (quase) com os mesmos propósitos do case Heineken versus Bond, mas dessa vez a ideia é a reapresentação de um produto que antigamente era associado a uma inocente menininha loira. Pretendiam criar um conceito novo (agora me diga se margarina pode ser reinventada) mas para isso… Usaram de machismo, essa coisa toda nova sabe.
Outra coisinha importante. A Claybom é da BRF, fusão entre Sadia e Perdigão. Para que o negócio fosse fechado sem configurar monopólio (flagrante), alguns produtos da marca deveriam ser extintos, por exemplo. Foi preciso elaborar um plano de marketing muito bem arquitetado para não desobedecer às regras. Toda essa engenharia não foi usada para evitar os clichês. Se perguntados certamente dirão que o público-alvo da campanha engole essa.
Sey.

Charô Nunes

Esses são textos de Charô Nunes, publicados em diversos blogs desde 2008, quando se inicia sua trajetória rumo à escrita e à intelectualidade. Alguns são textos inacabados, que serão publicados sem qualquer revisão ou adição.

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