Só o creme

Leitura atrasada

By October 4, 2012 One Comment

Estava lembrando de como eram os primeiros anos de uma febre chamada blog. Vocês lembram? Eles eram geralmente de cunho pessoal, um espaço para a gente encontrar os amigos virtuais. A gente sabia quem eram, para quem torciam, quais os locais preferidos. As pessoas escreviam qualquer coisa, mesmo aquelas que eram insignificantes ou com menos de 140 caracteres. Aliás, nem havia microblogs, tudo era publicado nas páginas do blogspot, blogger ou wordpress.
Esse é um desses posts. Seria bem mais fácil postar essa foto num twitter da vida e simplesmente dizer: veja, essa é minha leitura atrasada. Mas vejam, eu estou meio que saturando de tanta rede social. Então decici falar sobre essa foto aqui mesmo, com um tantinho mais de tempo e sem o compromisso da concisão. Porque né, coisa de louco isso. A obrigação de transmitir a informação sempre de forma linear e fragmentada. Cansa… E eu acredito que esses livros que estão mofando em minha mesa merecem um pouquinho mais de respeito.
Afinal, porque estão aqui hein?

A reinvenção das cidades. Sánchez,  Fernanda.

Existe um assunto que me fascina no Urbanismo, o Planejamento Estratégico e os males que vem causando. Tudo começou com um sujeito que, um belo dia, disse que as cidades deveriam ser regidas como empresas. Daí, desculpe-me a palavra, fudeu porque cada localidade agora precisa ser mais competitiva que a outra para atrair investimentos. Porque né, o que importa é crescer economicamente. Os resto vai se ajeitando. Esse é um dos livros que trata do assunto. Por uma das maiores especialistas do país quando o assunto é desurbanismo. Está na minha mira por causa do eterno projeto de pesquisa que tenho na cabeça (e não no papel) para o mestrado. Será que em 2013 vai? Rezem.

Gente Pobre. Dostoiéviski, Fiodor.

Admiro quem gosta e lê com fluência literatura russa. Eu acho chique no úrtimo. Daí comecei a tentar e percebi que é muito mais complexo do que um livro na cabeça e uma vontade de ler na mão. Comecei com Os Demônios mas… Não rolou. São tantos nomes esquisitos e ligações interpessoais que me deu um tilt. Foi ai que me joguei nos básicos (e fininhos) do Dostô (para nem tão íntimos assim). Nessa leva já cpnsegui ler O duplo (recomendo muito), O crocodilo, Noites brancas, Memórias do subsolo e Narrativas fantásticas. Seguindo essa linha de raciocínio é hora de ler Gente pobre.  Não dá pra dizer que Dostô tenha um livro mais importante que outro mas eu destacaria esse. Foi o que lhe rendeu notoriedade na juventude. Uma pena que ainda esteja na pilha de leitura atrasada.

Eating Animals. Foer, Jonathan.

Então, eu sou vegana. Ou seja, além da alimentação estou procurando deixar de consumir produtos de origem animal. Melhor seria dizer que estou tentando. Por exemplo? Comecei a fazer tricô e a lã é de bicho, bé. O Eating Animals está me ajudando nesse sentido e foi uma indicação da Natalie Portman que também está na transição para o veganismo. Ele demonstra o que significa (porque significa) comer carne, da onde ela vem (coisa que a maioria das pessoas que comem carne preferem não saber porque elas imaginam muito bem do que se trata). Outra coisa bacana desse livro é desconstruir o imaginário da fazendinha feliz onde vivem os bichos que dão são usados para fazer leite e derivados. Espero ler ainda esse ano. Urge.
(…)
E agora o momento mais esperado desse post, o…

Warchavchik, casa modernista

A blogueira ama e recomenda: Warchavchik, fraturas da vanguarda.

Essa talvez seja a leitura mais urgente dessa pilha. Fala sobre a vanguarda em São Paulo, na pessoa do arquiteto ucraniano radicado no Brasil, Gregori Warchavchik. Para escrever o livro José Lira, FAUUSP, fez extensa pesquisa nos arquivos de Odessa. Ai assim, tem como não amar um arquiteto nascido em Odessa? Pois é, Odessa. E mais, o texto tem depoimentos de gente como Pietro Maria Bardi. Vai vendo a coisa toda. Minha idéia é procurar pontos de intercessão entre essas experiências e a vanguarda de hoje, do início do século XXI. Urgente urgentíssimo porque é pro meu mestrado que, oxalá, vou prestar em 2013 ou não me chamo Acharolastra, bé.
A lista continua é claro, ainda mais agora que descobri que tricotar é tão gostoso quanto ler…

Charô Nunes

Esses são textos de Charô Nunes, publicados em diversos blogs desde 2008, quando se inicia sua trajetória rumo à escrita e à intelectualidade. Alguns são textos inacabados, que serão publicados sem qualquer revisão ou adição.

One Comment

  • E. Cohen says:

    Vixi, falando em leituras atrasadas, eu também estou com um monte aqui em casa…hehehe
    E já que você tocou no assunto de mestrado, precisamos conversar 😉
    Um beijão!

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