Arte

Let's Dance completa 30 anos

By January 8, 2013 2 Comments

No começo da década de 80 a maneira de consumir cultura era diferente. Não havia, por exemplo, a opção de não ver o Fantástico – era no domingo à noite que a gente ficava sabendo o que de bom os grandes nomes do pop estavam fazendo de bom. E sem espaço para qualquer reação mais extremada pois além dos pais, muitas vezes os avós estavam na sala.
Que MTV que nada. Apesar de ter nascido em 1981, levaria um tempo para o formato chegar no Brasil. Restavam as rádios. Mas mas para ver essa coisa nova chamada clipe, era preciso esperar pelos lançamentos mundiais na telinha. Com Let’s Dance, há exatos 30 anos, foi a mesma coisa. A dúvida é se foi na Rede Bobo ou no Clip Trip da Gazeta, um programa de música pop que tinha o inesquecível Capi Capi Capi Capivaraaaaaaaaaaaaaa.
Infelizmente os clipes não era a regra na época glam rock de David Bowie. Ainda assim, mesmo criança, tive a nítida sensação de que Let’s Dance era uma espécie de renascimento. Em 1983, ele tinha a mesma idade que tenho hoje. Aos meus olhos de menina, era um quase senhor que deixava para trás les annés completement folles e precisava se reinventar. Essa estória é bem contada em Velvet Goldmine, a quem interessar possa.
O interessante é que outra estrela do glam, Bryan Ferry, também tenha se reescrito pelo uso do terno. Aliás, bem mais elegante que David Bowie. Não que tenha algo contra o inesquecível figurino amarelo em completo desalinhamento, um papo completamente daquela coisa sem sal de  Gary Kemp do Spandau Ballet que também lançaria True em 1983. Mas olha, em toda a década ninguém usou um terno melhor que Annie lennox. Créditos para Eurythmics com Sweet Dreams.

Annie Lennox de terno, 1983.

Annie Lennox de terno, 1983.

Mas deixando de lado os terninhos e voltando para a música em si, não sei se concordo a opinião de David Bowie sobre o fato de que o rock+blues não era um produto mainstream. Tá certo que no mesmo ano Madonna lançaria um álbum homônimo, relançado 2 anos mais tarde, todo rock e nada blues. Inclusive na inspiração punk do visual. É, apesar do hegemônico Thriller de Michael Jackson, havia espaço para todo mundo.
Mas lembro muito bem de She’s so unusual de Cyndi Lauper que ao meu ver, tem muito de Let’s Dance. Na sonoridade e até mesmo na capa. Aliás, nem sei qual das duas prefiro – a melhor capa do ano fica com Bowie ou Lauper? Complicado, escolher. Mas se o critério de desempate for o figurino, sorry David e sua pose de lutador de boxe, mas a saia rodada e abusada da ruiva é inesquecível.

Let’s Dance Tracklist

Modern Love
China Girl
Let’s Dance
Without You
Ricochet
Criminal World
Cat People (Putting Out Fire)
Shake It

Algumas capas de 1983

Parabéns David!

Mas os tempos são outros. Ontem mesmo estava pensando em alguma obra de arte capaz de representar a Emptyness desses dias tão tristes. Não precisei ir muito longe porque tem pessoas que sabe, dão conta do mundo, da vida e até da gente. Nos tempos de alegria e nos tempos não tão alegres assim. David Bowie é uma delas fazendo o que faz de melhor, surpreende a gente e lança trabalho novo. Bem no dia de seu aniversário, quer amor maior?
Então corre pra ver Where Are We Now? – é bem melancólico, mas enche esses dias de vazio.


Esse post é dedicado para o querido Ed. Cohen, tão apaixonado por David Bowie quanto eu.

Charô Nunes

Esses são textos de Charô Nunes, publicados em diversos blogs desde 2008, quando se inicia sua trajetória rumo à escrita e à intelectualidade. Alguns são textos inacabados, que serão publicados sem qualquer revisão ou adição.

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