Cultura & Sociedade

#AllStevenson e a vida (e morte) nas grandes cidades

By May 2, 2012 No Comments

Escapar é preciso quando o inexorável se torna a própria vida. Nesse caso, a vida nas grandes cidades.
Buscando imagens da cidade de Edimburgo durante o século XIX fiquei bastante surpresa. As imagens não mostram aquelas cenas horripilantes que estamos acostumados a associar à cidade da Revolução Industrial. Pelo que entendi, a cidade se dividiu em Old Town e New Town, com agitações que datam 1500 quando a cidade foi escolhida para ser a capital da Escócia.
Até que me surgiu um mapa com informações sobre a urbanização da cidade ao longo do tempo. As cores avermelhadas se referem a processos urbanísticos notadamente medievais. As cores azuis e marrons se concentram entre 1750 e 1900, o período que nos interessa. No final desse período, um terço da população escocesa se concentrava nas cidades de Aberdeen, Dundee, Edinburgo e Glasgow.

Esse é o espaço das fabricas que, a exemplo de toda a Inglaterra, chegavam a funcionar por até 16 horas. Muito diferente dos relatos de dão conta do séc. XVIII quando os dias trabalhados eram em média 220. Fala-se também que em 1832 cerca de 10 mil habitantes morreram de cólera. Em 1860 a mortalidade era 60% maior nas cidades do que no campo.
A urbanização tornara a vida nas cidades letal. O maior dos problemas eram as moradias insalubres e os detritos, industriais e residencias, que não tinham correta destinação. É aquela cidade que está sempre esfumaçada retratada em Do inferno e Liga extraordinária, histórias em quadrinhos de Alan Moore que viraram filmes. Essa é a cidade de O clube do suicídio, onde até mesmo a danação tem de ser de alguma forma compartilhada.

“The Suicide Club,” said the Prince, “why, what the devil is that?”

“Listen,” said the young man; “this is the age of conveniences, and I have to tell you of the last perfection of the sort. We have affairs in different places; and hence railways were invented. Railways separated us infallibly from our friends; and so telegraphs were made that we might communicate speedier at great distances. Even in hotels we have lifts to spare us a climb of some hundred steps. Now, we know that life is only a stage to play the fool upon as long as the part amuses us. There was one more convenience lacking to modern comfort; a decent, easy way to quit that stage; the back stairs to liberty; or, as I said this moment, Death’s private door. This, my two fellow-rebels, is supplied by the Suicide Club.

E quem não se lembraria da cena em que Johnny Depp usa opium? Tenho a impressão de que ela se passa nas alcovas de um café qualquer, desses que foi imortalizado por… Adivinhem? Van Gogh. Por que é ali que se representa um pouco daquilo que se chama vida e morte. Como se a própria luz do sol viesse daquele amarelo ali, todo cheio de um pouco de vida.
Viajei né. Nossa. Tô sóbria hein. Eu acho. E até o próximo post. Amanhã o assunto será Janet, a aleijada…

Charô Nunes

Esses são textos de Charô Nunes, publicados em diversos blogs desde 2008, quando se inicia sua trajetória rumo à escrita e à intelectualidade. Alguns são textos inacabados, que serão publicados sem qualquer revisão ou adição.

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