O algoritmo

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Um texto para a felicidade, nossos pais e mães, para Dona Neide e Seu Betto, para as amigas e amores. Obrigada. Muito se fala sobre “o” algoritmo. Essa expressão tem ganhado força com as redes sociais e não raro dão a impressão de que muito do que acontece nesses ambientes são resultado de uma simples construção matemática. Bem, estamos longe disso. Na realidade, as trocas das redes são parte de algo maior, que tem muito mais a ver com pessoas do que com matemática. Existe uma norma que determina como as coisas dentro e fora da internet são? Como as próprias redes e empresas de tecnologia funcionam? Tem muito mais a ver com história, privilégios e o quão próximo alguém está de uma figura branca cisheteronormativo. Quando ouço tais palavras não deixo de pensar em Alan Turing, um matemático inglês vitimado através da castração química pelo governo britânico, porque ser homossexual (e qualquer coisa que não hetero) era considerado crime no País de Gales até 1967. Também na Escócia até 1980 e na Irlanda do Norte até 1982. O matemático também “quebrou”, ou melhor, “decifrou” a máquina Enigma durante a Segunda Guerra Mundial. Este mecanismo, muito parecido com uma máquina de escrever antiga,…

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Entrevista com Gabriela Watson Aurazo, autora de Flores de Baobá

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Flores de Baobá mescla a linguagem poética e observacional ao acompanhar a trajetória de duas educadoras: Nyanza Bandele na Filadélfia e Priscila Dias em São Paulo. A cineasta, Gabriela Watson Aurazo realiza uma jornada a fim de estabelecer conexões entre as comunidades negras da Diáspora Africana no Brasil e Estados Unidos. Sob uma perspectiva feminina, o documentário pretende abordar as semelhanças entre as mulheres negras e a luta de cada local para alcançar a igualdade na educação. Por que comunidades periféricas onde reside a maior parte da população negra apresentam uma enorme desigualdade ao acesso à educação de qualidade? Podemos construir uma escola que valorize nossa ancestralidade africana? Qual é a importância das mulheres negras como educadoras em nossas comunidades? Estas são algumas das questões exploradas em Flores de Baobá. Entrevistamos Gabriela e suas respostas reveladoras mostram a luta por construir sonhos possíveis. Confere! Adoraríamos saber mais sobre Gabriela Watson Aurazo. Quais eram seus sonhos de infância por exemplo? Quando penso nos meus sonhos de criança, lembro que gostava muito de dança, música e esportes. Na primeira infância sonhava em ser ginasta e me inspirava na Nadia Comanesci, não conhecia nenhuma ginasta negra. Quando comecei a praticar vôlei e basquete…

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É sobre a vaquejada mas também é sobre nós, mulheres negras

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Não falo muito sobre isso mas farei isso hoje porque penso que é muito importante. A comida que comemos mascara muita crueldade. O fato de que podemos nos sentar e comer um pedaço de frango sem pensar sobre as horrendas condições nas quais as galinhas são industrialmente criadas nesse país é um alerta sobre os perigos do capitalismo, em como ele coloniza nossas mentes. Angela Davis Muitas vezes tenho afirmado que sou vegetariana, querendo ter uma alimentação estritamente vegetal mas falhando miseravelmente. Porém essa é a primeira vez em que escrevo mais seriamente sobre. Talvez porque a prática cotidiana de questionar o que alimenta a barriga tenha vindo em primeiro lugar e só depois a necessidade de pensar para além do umbigo o que isso significa e qual o impacto de não consumir produtos animais. Decidi que era hora de registrar algumas inquietações, agora que o STF derrubou a lei cearense que regulamenta o “esporte” da vaquejada e estão sendo organizados protestos em todo país. Tudo isso para defender aquilo que consideram “uma imposição ideológica” contra uma “tradição” que emprega mais de meio milhão de pessoas por todo o país e que “não poderia” ser considerada maus tratos e crueldade…

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Mais um caso de racismo na infância

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Evidentemente todos os detalhes de mais um episódio de racismo nos causam revolta e indignação, mas também esperança pela profundidade e determinação demonstradas por N., uma menina de 11 anos, uma criança negra, que está dando uma aula de como é importante que a gente não se cale. Não importa com que intensidade o racismo tente nos derrubar. A gente vai reagir.

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