Arte

Roy Cohn, a derrota é um cenário?

By October 17, 2019 No Comments

Evidencio o pior de meus inimigos e assim consigo que derrotem a si mesmos.

Roy Cohn

Essa semana vi um documentário sobre como Donald Trump “fez” a si mesmo sob a influência de Roy Cohn, conhecido por ter sido o principal conselheiro da estratégia macartista.

Roy foi admirado e reconhecido pela infame técnica de criar suas próprias realidades, manipular a imprensa e a opinião pública, como vimos em pelo menos dois episódios envolvendo racismo. Um dos mais famosos foi advogar pela defesa da seleção tendenciosa e sistemática de locatários brancos em um empreendimento de Fred Trump, o Beach Beaven em 1950. E infame processo contra Martin Luther King Jr por difamação, assunto que só foi encerrado com a sua morte.

Há quem se interesse em aproximar o escroque de gente como Olavo de Carvalho e seu cliente mais poderoso, Donald Trump. Mas e se Roy Cohn fosse uma personagem de ficção, fiquei me perguntando e dois tipos me vieram à mente: Ferris Bueller de Curtindo a vida adoidado (1986) e James T. Kirk em A ira de Khan (1982), da franquia Star Trek.

Pouco me importa qual é a lei, diga-me quem é o juiz.

Roy Cohn

O primeiro um jovem estudante do ensino médio que se rebela contra a autoridade do diretor da escola, mote que rendeu um dos filmes mais divertidos dos anos 80, com cenas antológicas. Mas pensando friamente, Ferris procura a todos os momentos e por todos os meios se dar bem e vencer seus antagonistas, quem quer que sejam. A sequência em que ele se declara um importante figurão, o Rei da Salsicha de Chicago, demonstra o tamanho de seu ego.

A verdade é que, mesmo colocando em risco seus amiguinhos, ainda está longe de enfrentar situações de vida e morte. Mas o que aconteceu com Ferris Bueller depois? Ele se deu bem na vida adulta, com seu charme quase irresistível? À exemplo de Tabata Amaral (deputada federal), nossa personagem sempre contou com a possibilidade de conseguir emprego onde quiser. E não seria loucura de nossa parte que se tornasse uma viajante por lugares onde nenhum homem jamais esteve.

O que teria feito em uma das provas mais memoráveis para alcançar esse objetivo? James é uma oportunidade para pensarmos sobre isso. A ocasião é a capitania de uma nave fictícia chamada Kobayashi Maru. Diante de uma batalha simulada em que 300 pessoas estão a bordo e a derrota é a única certeza durante uma prova da academia militar.

O único a passar no teste foi o cadete James, que sabotou a simulação como possivelmente teriam feito Ferris e Roy. A manobra inusitada foi considerada como expressão de sua inteligência, afinal a tarefa primeira de um capitão é salvar sua nave a tripulantes. Conseguiu o comando e o resto é história.

Mas a gente sabe que isso é apenas um detalhe na coisa toda.

James teria aceitado perder alguma vez na vida?

Charô Nunes

Eu escrevo.

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