Sobre baratas, hecatombes e um chinelo de borracha.

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Entender arquitetura

Talvez sejam as prisões. A tal ponto que poderíamos, utilizando os mesmos artifícios de Passagens, pensar os últimos cem anos da história contada pelo comedor de carne como uma sucessão de embates sobre a liberdade. Os crimes de o Estripador anunciaram o que viria a ser conhecida como a era dos extremos. Por causa das guerras para alguns, mas certamente pela virada capitalista rumo à alguma coisa que trata do aniquilamento absoluto.

Só há uma imprecisão histórica, se me permitem. Para nós, a era dos extremos começou em 1444, com o primeiro ato de escravização de uma pessoa categorizada como o outro negro. E a arquitetura, como bem aobservou Benjamin, tem as mãos sujas de sangue. Algo muito diferente daquela coisa meio gourmet, meio bossa-nova, que a propaganda diz por ai.

Praça Charles De Gaul­le © LAN

Diz Lewis Munford que “Por trás dos interesses do novo capitalismo, como seu amor abstrato ao dinheiro e o poder, teve lugar uma mudança em toda a estrutura conceptual. E a primeira delas foi uma nova concepção do espaço. Um dos grandes triunfos da mentalidade barroca foi organizar o espaço, tornando-o contínuo, reduzindo-o à medida e à ordem, estendendo os limites da grandeza, para abranger o extremamente remoto e o extremamente pequeno; finalmente, associando o espaço ao movimento e ao tempo“.

Munford também reporta que “essa rua desmesurada e uniforme (…) tinha uma base puramente militar” com “a linha de marcha ininterrupta contribui muito para a demonstração de força, e um regimento que assim se movimenta dá a impressão de que irromperá através de uma muralha, sem perder o passo” afinal “não foram as ruas medievais de Paris um dos últimos refúgios das liberdades urbanas” naquele país? (1)

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