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Absolutismo

O Sol nascente e o nascer do sol: a propaganda real e um óleo sobre tela

By Arte No Comments

Com um manual e um relógio, pode-se, a quilômetros de distância daqui dizer o que ele fazia. Duque de Saint-Simon, cerimonialista de Versalhes A infância de Luís XIV é marcada por dois eventos: a morte precoce de seu pai Luís XIII (1601 – 1643, filho da Maria de Médicis) e por duas rebeliões em oposição à concentração crescente do poder real. Saiu vitorioso, arruinado  financeiramente mas vitorioso. E, à maneira de Ramsés II em Kadesh, faz uso da arte da propaganda. A construção da imagem real se dá através do controle da Academia Real de Pintura e Escultura (criada quando o rei tinha apenas 10 anos) e por meio da rigidez da vida cortesã, com especial atenção para rotina real. Obviamente, ambos aspectos estão intimamente ligados. A imagem de Luís XIV era nutrida por meio de um complexo cerimonial. Pela manhã, por exemplo, o primeiro valete do rei anunciava um novo dia ao soberano: “Senhor, é chegada a hora!”. Nesse momento, médicos, familiares e favoritos se acotovelavam para ver o rei ser lavado, barbeado (a cada dois dias), penteado e vestido. Estima-se que ele era assistido por uma centena de ajudantes. Tudo na rotina em Versailhes lembrava o status do Rei Sol. Mas foi no Ballet da Noite que o soberano se apresentou…

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Um exercício, Memórias de Luís XIV

By Cultura & Sociedade No Comments

Amanhã falarei sobre o mundo de aparências, entretenimento, publicidade e arquitetura em Versailles. Hoje vouserei mais breve.  O assunto ainda é a vida na corte, seu cerimonial e osmanuais destinados à educação dos jovens príncipes. Em Mémoires de Louis XIV pour l’instruction du Dauphin (Memórias de Luís XIV para instrução do Príncipe) temos um trecho muito interessante que reproduzo aqui no original, em tradução livre e em livre adaptação. ^^ (01) Cette société de plaisirs, qui donne aux personnes de la Cour une honnête familiarité avec nous, les touche et les charme plus qu’on ne peut dire. Les peuples, d’un autre côté, se plaisent au spectacle où, au fond, on a toujours pour but de leur plaire ; et tous nos sujets, en général, sont ravis de voir que nous aimons ce qu’ils aiment, ou à quoi ils réussissent le mieux. Par là nous tenons leur esprit et leur cœur, quelquefois plus fortement peut-être, que par les récompenses et les bienfaits… (02) Essa sociedade de prazeres, que dá às pessoas da corte uma honesta familiaridade conosco, os toca e os encanta mais que podemos imaginar. As pessoas, por outro lado, se divertem com o espetáculo que, no fundo,  tem por objetivo sua diversão; e todos nossos súditos, em geral, se sentem felizes por amarmos aquilo que eles amam, ou fazermos aquilo que eles fazem de melhor. É assim que alcançamos seu espírito e seus corações, algumas vezes mais fortemente do que através do discurso político ou música… (03) Essa sociedade de entretenimento, que dá ao público uma honesta familiaridade conosco, artistas e líderes políticos e os toca e os encanta mais que podemos imaginar. As…

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Galeria dos espelhos, o argumento do direito divino e a arte da aparência ofuscante

By Arte No Comments

I used to wonder why you looked familiar Then I realized it was a mirror Oh and now it is plain to see The whole time the monster was me Gnarls and Barkley Comparo a vida cortesã com um momento singular da vida na Alemanha Oriental em que as relações interpessoais eram organizadas pela lógica do panóptico, onde cada indivíduo vê e é visto como em A vida dos outros (2006). Porém não estou falando de uma realidade histórica distante mas do tempo presente em que somos reféns e algozes, vigiando a vida alheia e tornando pública a nossa nas redes sociais, por exemplo. Isso no entanto não é exclusividade da contemporaneidade. A Galeria dos Espelhos, Versalhes, também fala de um mundo onde a arte da aparência ofuscante se torna instrumento político assim como as festas cuja fama sobrevivem ao tempo. Les Plaisirs de l’Île enchantée, por exemplo, durou uma semana. A wikipédia dá conta que “se as grandes festas são excepcionais, a  vida na Corte é iluminada por entretenimento regulares cujo ritmo é aquele do rei Sol. Em Versailles as segundas e os sábados são dias de concertos, a comédia francesa na terças, a comédia italiana às quartas e sextas, a tragédia às quintas. O domingo é reservado ao jogo. Duas vezes por semana, no domingo e na quarta, o Dauphin e as damas comandam bailes em seus apartamentos. O Carnaval…

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Antes do Impressionismo, o Neoclassicismo

By Cultura & Sociedade No Comments

A série sobre o impressionismo começa com atraso (mil coisas do lado de cá) e adivinhem, um pouco diferente do imaginei. O problema é que a primeira coisa que me vem à cabeça é reação dos impressionistas à Académie royale de peinture et de sculpture. E quando o assunto é a Academia, a primeira coisa que me vem à cabeça é a Sociedade de Corte de Louis XIV. Ou seja, o assunto vai longe e não pretendo ser tão fiel à expô que acontece agora no @ccbb_sp. Afinal eu não perderia, nunca de la vie, a oportunidade de falar daquilo que considero ser o saco gestacional da Sociedado do Espetáculo: a Sociedade de Corte. Reparem que, em ambos os momentos, a realidade e a beleza são idealizadas, cada imagem (agora a publicidade, antes arquitetura, pintura e escultura notadamente) fosse um esforço em direção a um ideal de ordem, perfeição e beleza; o entretenimento ocupa um lugar de destaque em detrimento da intervenção política, não por acaso Louis XIV e nossos líderes políticos agem como celebridades são homéricos os esforços individuais em busca de sucesso, fama e dinheiro, como se cada um competisse com os demais para saber quem é mais premium entre os premium. Tudo isso com implicações estéticas e políticas, obviamente.  Antes o Absolutismo,…

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