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Blackface? Yes we can!

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Por Charô Lastra Agora que a África é tendência, ao invés de termos um aumento no número de modelos negras contratadas, temos presenciado um aumento alarmante da blackface no meio fashionista. O caso da vez é a Vogue Holanda que pintou o rosto de uma modelo para homenagear o trabalho Marc Jacobs para Louis Vuitton, inspirado na inesquecível Josephine Baker. Obviamente é uma atitude friamente calculada. É justamente por causa da blackface que essa edição da revista será tão comentada. Como a informação é cada vez mais volátil, é preciso que marcas, políticos e personalidades da mídia criem factoides para estar em constante evidência. O problema é que em nome de uma desejável superexposição, mais do que nunca tem se usado falas e instrumentos historicamente preconceituosos. Em poucos casos acontecem retaliações em função da ignorância, da impunidade. Também contribui a ideia equivocada de que a arte, esse instrumento sublime acima de qualquer suspeita, possa ser racista. Quem não se lembra da briga pra reconhecermos que Monteiro Lobato… Bem, vocês sabem. É por isso que preciso começar esse post explicando en bref a origem da blackface. I. A BLACKFACE COMO ESTEREÓTIPO RACISTA William H West, um clássico da cultura racista A…

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Racismo: Adivinhe quem vem para jogar

By Cultura & Sociedade 13 Comments

É claro que estou falando sobre o filme, só que na vida real. Dia desses estava pensando sobre o modo como o roteiro de Adivinhe quem vem para jantar (com Sidney Poitier, 1967) evidencia que o único motivo para a família da namorada branca não aceitar John Prentice (um médico negro de sucesso, rico, bonito, educado, inteligente, etc) é o racismo. Outra virtude é mostrar como o discurso racista, muitas vezes entendido como uma fantasia de pessoas que gostam de ser vitimizadas, pode estar presente nas mentes e nos corações daqueles que (oh) não se consideram racistas. Na vida real nem sempre o racismo tem contornos tão nítidos. Predominam situações em que permanece velado e inominável, uma de suas facetas mais cruéis. Por exemplo, quando não somos atendidos de forma correta, somos assassinados, expulsos pelos processos de gentrificação das cidades. Esse não é o caso aqui, apesar de todo um chorume de argumentos defendendo que não houve discriminação, foi exatamente isso que aconteceu. A diferença é que dessa vez a personagem não veio para jantar, mas para jogar tênis. Como na ficção, ainda que muitos resistam em admitir, a única explicação para o fato de o Globo Esporte ter feito…

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Ford Fiesta e a escala da desigualdade

By Cultura & Sociedade No Comments

Eu nem sei por onde começar. Falemos então de sexo, essa obrigação a ser cumprida não importa quando e como. Talvez daí a aproximação de palavras que parecem não casar uma com a a outra, sensualidade e morbidez. Um exemplo foi citado hoje no meu twitter: o retrato sensual de heroínas feridas em batalha.O “conceito” serviu de mote para um comercial da Ford mostrando um homem comum que, após sofrer um acidente, faz um “upgrade de rosto” e se torna Paulo Zulu. Após ter sido atropelado na linha do trem, quem se preocupa em apenas sobreviver, não é mesmo? [youtube http://www.youtube.com/watch?v=IHiAzhTxU6g]A associação se repete, dessa vez na praia. O sujeito foi resgatado do mar por um salva-vidas negro (aliás, um homem belíssimo) que não serve para a tarefa. Surge uma salva-vidas morena, que até serviria, mas não. É assim que entra em cena Pamela Anderson, eterna baywatch babe, um espécime apropriado para um boca a boca. Quem sabe numa indicação de que o produto tem um público alvo bem definido, essa dança das cadeiras reproduz uma espécie de escala da desigualdade, o modo invisível mas implacável usado para classificar pessoas segundo seu gênero e perfil étnico-racial. Nesses termos, homens brancos são…

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Ninguém duvida que o texto de Monteiro Lobato é racista. Mas e o que vem depois?

By Cultura & Sociedade 2 Comments

 Se você acredita que a relação entre Dona Benta e Tia Anástácia não tem nada de urgente, agravante e sério, é porque o Monteiro Lobato conseguiu o que queria. Dia desses fiquei boquiaberta com a coragem que teve Ariano Suassuna ao defender publicamente e em pleno século XXI a Teoria da Criação. Tive de repetir para mim mesma: como assim, ele desacredita na Teoria da Evolução? Me senti uma amoeba sem dente por não ter extrapolado o fato afinal isso faz parte do processo de ler um livro. Se tivesse lido (de verdade) O auto da compadecida, teria encontrado ali um católico ferrenho, fervoroso até. Isso me lembra um senhor maravilha (obrigada Monsieur Briant) que me deu as primeiras pistas sobre o que é a leitura. Aqui em casa frequentemente discutimos sobre o influência que a biografia do autor tem em cada obra, coisa pra lá de evidente em alguns casos como Baudelaire e Poe. Mas que não tem a mesma obviedade quando estudamos um cientista. Veja o caso de Albert Eisntein que provavelmente batia em sua mulher e nos filhos. Ou ainda o excepcional Alan Turing, o cara (gay) que salvou o mundo e se matou antes de ser…

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Cotas raciais nos partidos?

By Cultura & Sociedade No Comments

Tenho forte simpatia pelo anarquismo, tanto que não voto há alguns anos. Minha grande decepção foi mesmo o Lula. Aqui até agradeço porque muito cedo perdi a fé nesse sistema de representação política. Por outro lado, não acredito em lavar as mãos e deixar a coisa simplesmente acontecer. Por isso adorei a provocação que Tavis Smiley lançou em seu blog no HPost Black Voices ao constatar que nenhum jornalista negro foi selecionado para moderar o debate presidencial: It is apparently easier for a person of color to be president of the United States of America than it is for a journalist of color to be selected to moderate a presidential debate. Na gringa a coisa parece um pouco melhor, por aqui ainda vai levar um tempo até que tenhamos uma negra ou um negro no palácio do planalto (apesar de que já tivemos um homem branco “pobre”, agora uma mulher branca, o próximo na linha de sucessão “deveria” ser um negro e é claro que sabemos que há mais fatores a serem considerados, isso é um recorte). Mas adivinhem? Os partidos políticos seguem negligenciando a população negra e a necessidade de ela ser representada. Há dois materiais que gostaria de…

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