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Infância

Contra o #trabalhoinfantil – bebê hipoglós e convite à ação

By Cultura & Sociedade No Comments

Acredito que se eu e você perguntássemos para dez pessoas se concordam que crianças não devem ser vendidas, praticamente todas concordariam. Numa sociedade em que quase tudo está à venda, parece existir algum conforto em acreditar que o mercado teria algum limite ético. Por outro, seguimos transformando esse período crucial da vida em mercadoria em nome do entretenimento. Falo especificamente do trabalho infantil vinculado pela televisão. No último dia das crianças por exemplo, a Record televisionou um quadro pra lá de questionável. Esse tipo de diversão infelizmente não é um caso isolado. O SBT tem sido pródigo no quesito, vinculando quadros como o famigerado Eu e as Crianças, com vovô Raul Gil. Mas como não há limites para o que já é ruim piorar, uma aberração chamada de reality show de bebês tem sido mostrada todas as manhãs por Ana Maria Braga. As personagens principais são umas “fofuras” mas a competição não é coisa de criança. O regulamento para a seleção do casting é bem claro ao afirmar que é destinada a consumidores (além de vender a infância dos filhos, as mães perdem antes sua cidadania) pessoas físicas, de idade igual ou superior a 18 anos completos no ato da inscrição. A lei 5768 estabelece que a distribuição gratuita de prêmios a título de propaganda quando efetuada mediante sorteio,…

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#limitetabaco – Não deveria ser legal fumar quando a classificação é livre

By Cultura & Sociedade No Comments

Maria Fernanda Cândido está em Lado a Lado na pele de uma deslumbrante, independente e escandalosa dançarina francesa, Mademoiselle Dorleac. No capitulo que foi ao ar hoje, sua personagem vai até a confeitaria Colonial (uma alusão à Confeitaria Colombo), espaço frequentado por jovens galanteadores do Rio de Janeiiro. Ali, vestida de homem (cartola, smoking e bengala), puxa um charuto e pergunta qual dos senhores poderia lhe acender o fumacê. Se em algumas cidades na década de 60 a mulher ainda estava às voltas com o uso de calças, imagine o que significava adotar a alfaiataria na década de 30. Para compor a personagem, a inspiração veio de mulheres como Marlene Dietrich (Marocco, 1932) e até mesmo Josephine Baker, que além do smoking, também usou uniforme militar após o término da Segunda Guerra. A genealogia do uso de roupas masculinas por mulheres inclui nomes como Georges Sand, escritora, ainda na década de 1830. Essa subverssão ou contestação pode acontecer de diferentes maneiras:  É evidente que a invasão do vestuário do sexo oposto ataca a impermeabilidade que se pretende ter entre eles e, por isso mesmo, é provocador. A transgressão e a subversão tem grande apelo erótico. Empréstimos de peças de vestuário de outro sexo demonstram subitamente um…

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É da nossa conta: no dia das crianças, Record apresenta quadro questionável

By Cultura & Sociedade One Comment

A minha televisão tem a estranha mania de ficar ligada. Para minha sorte (ou azar) não assino canais à cabo. Por causa disso vejo as coisas mais estranhas que você pode imaginar. Ontem vi um pedaço do Show da fé (sou atéia), hoje pela manhã um quadro chamado Reis do Bailinho num programa da Rede Record chamado Hoje em Dia, conduzido pelos apresentadores Cris Flores, Edu Guedes e Celso Zucatelli. O quadro é na verdade uma competição para ver quais crianças sambam melhor. Jusqu’ici tout va bien, o problema começa com a difusão televisiva da experiência o provável não pagamento de cachê justo (mesmo aqui há controvérsias) e a premiação irisória (um video game) se pensarmos na audiência que o grupo de crianças pode ter proporcionado. o tratamento completamente irresponsável dispensado às crianças. O fato de televisionar o concurso faz com que a competição perca o status de brincadeira. Torna-se na verdade mais uma atração cujo fim primeiro é a audiência e não o bem estar dos participantes, configurando portanto trabalho infantil . O fato de receberem um vale brinquedo no valor de R$ 200,00 também demonstra que se trata de uma relação de trabalho, situação que é legalmente escamoteada…

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Um dia das crianças diferente

By Cultura & Sociedade No Comments

Fico abismada com as notícias sobre o dia da criança na televisão. Pais desconcertados se perguntando se devem ou não levar os filhos para fazer compras (estudos indicam que levar os filhos às lojas aumenta os gastos nessa data querida) e como devem economizar. Não vou dizer como você deve viver a sua vida. Mas posso dizer como é na minha casa: no fucking problem. Até mesmo porque presentes ainda não fazem parte da agenda de minha filha, graças a Belfhegora. Muito menos da nossa. Se existe um problema que aqui não temos é essa neura de presentes. Nem mesmo nos aniversários de casamento (coloquemos dessa forma) que já são muitos a essa altura do campeonato. Mas nem sempre foi assim. Na minha casa era tradição irmos ao Ibirapuera fazer uma espécie de piquenique. Mamãe levava farofa, carnes e os brinquedos. Muitas vezes eles eram dados antecipadamente pelas primas mais velhas. Desses lembro muito bem de um ursinho azul que tocava uma musiquinha quando lhe apertavam a barriga. Ficou comigo até a idade adulta, de tanto que gostava dele. Houve também os lango lango da vida e uma espécie de mão biônica esverdeada que brilhava no escuro. Mas nenhum deles se comparava à…

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Duda Bundchen, estilista e princesa da vida real

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Quando o assunto é roupa, Duda não tem dúvidas ao eleger os vestidos compridos e com babados como o seu look preferido. Não por acaso, sua princesa favorita nos contos de fadas é a Bela Adormecida. O rosa e o azul são suas cores favoritas. E, como criança moderna, que cresce num ambiente em que os limites de gêneros perderam a rigidez de antigamente, Duda diz não acreditar na suposta divisão de “rosa é para meninas e azul, para os meninos”. Vaidosa, Duda falou que gosta de maquiagem e usa os produtos de beleza com a aprovação dos pais, Raquel e Paulo. Em 1987 fui ao cinema ver um filme chamado Manequim. Kim Cattral interpretava a mulher/boneca dos sonhos de  Andrew McCarthy: sempre alegre, bem maquiada e vestida, disponível e feliz. Agora imagine se as marcas de roupas para crianças pudessem avivar as bonecas loiras das prateleiras? Bem eles não precisam: os pais de Duda Bundchen emprestam sua infância, seus cachos dourados e seu discurso surpreendente maduro para promover o consumo infantil. A top model mirim também assina, aos cinco anos, a nova coleção primavera-verão da marca Brandili que “será marcada pelo uso de tecidos ecológicos, já que esse é um tema de grande importância…

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