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Preconceito

Sobre a caloura Xica da Silva, nota sobre o trote na UFMG

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Por Charô Nunes para as Blogueiras Negras Algumas manifestações do racismo costumam ser consideradas sem importância, ainda mais num país onde muita gente considera o próprio racismo como algo de menor importância. Alguns diriam que ninguém morre por não estar na capa da revista, nos espaços acadêmicos, nos desfiles de moda, na política. Ninguém morre por causa de mais uma piadinha, de mais uma blackface na televisão ou no teatro.  Certo? Antes de tudo, preciso explicar que a blackface é tudo menos uma piada inocente que acontece nos sábados à noite na televisão e no teatro (Tiago Abravanel se pinta de negro para interpretar Tim Maia). É um instrumento racista clássico que se iniciou no teatro estadunidense quando atores brancos pintavam seus rostos de preto para criar retratos estereotipados de pessoas negras, contribuindo para a disseminação e decantação do racismo. O assunto desse post é exatamente esse – uma imagem mostrando uma blackface e outra com menção ao nazismo. Já temos a notícia de que não são montagem. Mesmo que sejam fruto de uma brincadeira entre amigos, decidimos escrever sobre seu conteúdo racista, sexista e totalitário.  Ainda mais quando pensamos que as personagens retratadas são provavelmente alunos da faculdade de…

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Ford Fiesta e a escala da desigualdade

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Eu nem sei por onde começar. Falemos então de sexo, essa obrigação a ser cumprida não importa quando e como. Talvez daí a aproximação de palavras que parecem não casar uma com a a outra, sensualidade e morbidez. Um exemplo foi citado hoje no meu twitter: o retrato sensual de heroínas feridas em batalha.O “conceito” serviu de mote para um comercial da Ford mostrando um homem comum que, após sofrer um acidente, faz um “upgrade de rosto” e se torna Paulo Zulu. Após ter sido atropelado na linha do trem, quem se preocupa em apenas sobreviver, não é mesmo? [youtube http://www.youtube.com/watch?v=IHiAzhTxU6g]A associação se repete, dessa vez na praia. O sujeito foi resgatado do mar por um salva-vidas negro (aliás, um homem belíssimo) que não serve para a tarefa. Surge uma salva-vidas morena, que até serviria, mas não. É assim que entra em cena Pamela Anderson, eterna baywatch babe, um espécime apropriado para um boca a boca. Quem sabe numa indicação de que o produto tem um público alvo bem definido, essa dança das cadeiras reproduz uma espécie de escala da desigualdade, o modo invisível mas implacável usado para classificar pessoas segundo seu gênero e perfil étnico-racial. Nesses termos, homens brancos são…

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James Heineken versus Maria Claybom: você engole essa?

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Um filme como esse custa 118 milhões para ser feito. E custa outros 200 milhões para ser vendido. Então os 200 milhões tem de vir de algum lugar. Inserção de produtos, ainda que você goste ou não. As coisas são como são. Heineken nos deu uma tonelada de dinheiro para estar no filme. Sem eles, talvez não pudéssemos vendê-lo. Daniel Craig E de pensar que no post passado falei sobre o compartilhamento de conhecimento. Uma sociedade Borg é assim, transforma as dificuldades em oportunidades de negócios. De qualquer forma, alguma coisa está muito errada nesse modelo de venda em que pouca gente lucra tanto num ramo de negócio que parece sem sentido, o de fazer a informação não estar disponível a todos. Será que a distribuição seria mais lucrativa se fosse mais horizontal? Essa é uma das perguntas. A outra é: quem acredita que James Bond toma cerveja? E quem poderia desacreditar? Trata-se de uma inserção de produto praticamente perfeita, completamente adaptada ao vocabulário da personagem. James Bond tem como grande trunfo ser um super homem crível. Ele não voa, mas tem super poderes, come a mulherada e ainda bebe seus gorós segundo o script óbvio a que deve se…

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Ser negra, esse erro de beleza

By Cultura & Sociedade No Comments

Saiu no site do MSN Brasil um artigo falando sobre 10 deslizes que atrasam sua beleza. Fui ver logo pensando que estava enquadrada em todos, até mesmo porque não me preocupo com coisas como o ***gerenciamento obsessivo*** de pelos corporais ou feitura das unhas semanalmente porque acho um absurdo gastar tanto com coisas desse tipo (uma mulher chega a gastar 1000 reais ou mais por ano com manicure). O primeiro erro da tal lista é ter unhas compridas demais, o segundo é cortar as unhas em público (vai que você leu a matéria, viu que tem unhas enormes e decidiu cortá-las no escritório…) e o terceiro… Eu logo pensando, vai ser que ser negra vira erro de beleza também… O triste é que eu estava certa. Nada de errado a priori com a descrição do erro em si, se você não é negra realmente não é aconselhável querer ser negra à força. Sol em demasia também faz mal à pele… Exagerar no bronzeado Embora as câmaras de bronzeamento estejam proibidas no Brasil desde 2009, tem gente que mantém costume de passar horas embaixo do sol para ficar com a pele morena. Exagerar no bronzeado, ainda que natural, envelhece a pele, produz manchas e rugas…

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