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Robert Louis Stevenson

A felicidade, por Robert Louis Stevenson

By Arte No Comments

Tenho a sorte de conviver com uma pessoa que adora ler e compartilhar suas leituras. Então basta lhe pedir alguma dica e aguardar por uma grata surpresa a cada livro ou autor recomendado. Foi assim que amor dele por literatura fantástica acabou me contagiou. De cara comprei 4 antologias do gênero mas… Não sabia por onde começar. O conselho foi experimentar O demônio da garrafa, minha primeira e uma das mais prediletas leituras de Robert Louis Stevenson. Assim como A pata do macaco, é imprescindível. Mas confesso, é menos assustadora. A felicidade tem prazo de validade A felicidade e a perdição de Jekyll residem na pessoa de Hyde.É uma felicidade triste, um horror sublime de superar a incompletude de ser bom e mau ao mesmo tempo. Mas esse estado, essencialmente contemplativo, tem prazo para acabar. Dura até que Hyde decide cometer algum crime ou até efeito do pó branco se desfaça. Para Markheim, a felicidade também é contemplativa e ganha ares de um tempo em suspensão: desde o momento do assassinato até que chegue alguém no aposento e coloque sua consciência à prova. Sempre em dicotomia, universo stevensoniano de O demônio da garrafa também apresenta duas possibilidades: o intervalo entre comprar e usufruir de seus encantos para então rapida e desesperadamente vender, por um preço…

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Stevenson e nossas sombras tremulantes

By Cultura & Sociedade No Comments

Forewords: E eu nem vou falar do diabo A luta entre o bem e o mal é tema de Markheim, um assassino confrontado pela atmosfera inebriante de uma morte sem sentido. Enquanto indaga-se sobre o que fazer, esquece sua motivação. Ah sim, o dinheiro. Irrelevante. E numa passagem qualquer da narrativa, a pergunta crucial: “Será o crime de assassinato realmente tão ímpio a ponto de secar a própria fonte do bem?”. E completo: o que seria capaz de secar tal fonte do bem? Ainda assim, a resposta nem é o mais surpreendente aqui. A descrição da atmosfera, o confronto de olhares e o horror sublime fazem o deleite dessa narrativa. E olha que eu nem vou falar do diabo, himself. O antiquário voltou a inclinar-se, dessa vez para devolver o espelho à prateleira, com seu cabelo fino e louro caindo sobre os olhos conforme se movimentava. Markeim aproximou-se dele um pouco mais, uma das mãos no bolso do sobretudo; empertigou-se e encheu os pulmões de ar; diferentes emoções se revelaram ao mesmo tempo em seu rosto – pavor, horror e determinação, fascínio e repulsa física; e com uma discreta elevação do lábio superior seus dentes ficaram à mostra. “Isto aqui talvez seja apropriado”, observou o antiquário;…

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A história da porta: um mundo vitoriano, por Robert Louis Stevenson

By Cultura & Sociedade No Comments

O mês acabando e eu —ainda— não terminei a leitura de OMEOM. Na verdade, acabo de recomeçar. Provavelmente o que vai acontecer é o seguinte: o assunto vai render até meados do mês de junho, mais precisamente até o dia 13 quando começa a Mostra Ingmar Bergman no CCBB/SP. A idéia é convidar blogueiros para falar aqui no blog sobre seu filme favorito, ou não, do diretor. O convite está feito. Basta enviar sua contribuição por email –> oneirophantaARROBAlivePONTOcom. participe, faça uma blogueira feliz =DDD Agora, voltado à nossa programação habitual. Nuossa, que título homérico. A história da porta é o primeiro capítulo de OMEOM. Ali são definidos os parâmetros de normalidade para toda a narrativa, como as coisas devem ou deveriam ser. Uma delas é a descrição da personalidade de Utterson, advogado, grande amigo de Jekyll Hide. Outro destaque é a apresentação do vinho, de um mundo estritamente masculino e da urbe vitoriana e a influência que o monstro e a especulação financeira exercem sobre ela. Ou seria o contrário? Vejamos. Utterson, uma personalidade vitoriana Antes de mais nada, Stevenson começa pela descrição de uma personalidade tipicamente vitoriana, Gabriel John Utterson. Ele é o guardião do testamento de Henry Jekyll e a ele caberá entregar toda a fortuna do amigo a Edward Hide se o…

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Contrastes e aproximações sobre a duplicidade: Dostoiévski 1, Stevenson 0

By Cultura & Sociedade No Comments

Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? Bem, nesse caso foi Dostoiévski mesmo. O duplo, seu segundo livro,  data de 1846. Duas décadas antes que O médico e o mosntro (OMEOM). Sua personagem principal é o Senhor Goliadkin, uma pessoa que não tem certeza de estar acordada nem de saber se o que se passa à sua volta é realidade ou sequela dos desencontrados sonhos de sua noite. Sua estória começa com uma visita a um médico por causa de uns problemas. Após uma série de desencontros, encontra seu duplo passeando corriqueiramente pelas ruas da gélida São Petersburgo. No dia seguinte, para seu horror, seu duplo está sentado confortavelmente numa mesa em frente a sua na repartição pública em que trabalha. E apesar de acontecimento tão peculiar, o cotidiano parece transcorrer normalmente. Psicologia versus corporeidade Goliadkin é marcado por uma carga psicológica quase insuportável.  Descreve a si mesmo como uma pessoa isolada das demais, aflita, solitária, indecisa, incapaz de viver em sociedade. Ainda assim, não há nada em sua aparência que denuncie o turbilhão de incertezas em que vive. Já o monstro de Stevenson se distancia dos demais não somente pelo gosto que sente pelo crime mas também por sua aparência monstruosa. Se o contraste entre Henry Jekyll e Edward Hide beira o absoluto, a duplicidade para Dostoiévski é como um…

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