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Van Gogh

A felicidade, por Robert Louis Stevenson

By Arte No Comments

Tenho a sorte de conviver com uma pessoa que adora ler e compartilhar suas leituras. Então basta lhe pedir alguma dica e aguardar por uma grata surpresa a cada livro ou autor recomendado. Foi assim que amor dele por literatura fantástica acabou me contagiou. De cara comprei 4 antologias do gênero mas… Não sabia por onde começar. O conselho foi experimentar O demônio da garrafa, minha primeira e uma das mais prediletas leituras de Robert Louis Stevenson. Assim como A pata do macaco, é imprescindível. Mas confesso, é menos assustadora. A felicidade tem prazo de validade A felicidade e a perdição de Jekyll residem na pessoa de Hyde.É uma felicidade triste, um horror sublime de superar a incompletude de ser bom e mau ao mesmo tempo. Mas esse estado, essencialmente contemplativo, tem prazo para acabar. Dura até que Hyde decide cometer algum crime ou até efeito do pó branco se desfaça. Para Markheim, a felicidade também é contemplativa e ganha ares de um tempo em suspensão: desde o momento do assassinato até que chegue alguém no aposento e coloque sua consciência à prova. Sempre em dicotomia, universo stevensoniano de O demônio da garrafa também apresenta duas possibilidades: o intervalo entre comprar e usufruir de seus encantos para então rapida e desesperadamente vender, por um preço…

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A vida (e a morte) nas grandes cidades #AllStevenson #AllVan Gogh

By Arte No Comments

Escapar é preciso quando o inexorável se torna a própria vida. Nesse caso, a vida nas grandes cidades. “The Suicide Club,” said the Prince, “why, what the devil is that?” “Listen,” said the young man; “this is the age of conveniences, and I have to tell you of the last perfection of the sort. We have affairs in different places; and hence railways were invented. Railways separated us infallibly from our friends; and so telegraphs were made that we might communicate speedier at great distances. Even in hotels we have lifts to spare us a climb of some hundred steps. Now, we know that life is only a stage to play the fool upon as long as the part amuses us. There was one more convenience lacking to modern comfort; a decent, easy way to quit that stage; the back stairs to liberty; or, as I said this moment, Death’s private door. This, my two fellow-rebels, is supplied by the Suicide Club.

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#AllStevenson e a vida (e morte) nas grandes cidades

By Cultura & Sociedade No Comments

Escapar é preciso quando o inexorável se torna a própria vida. Nesse caso, a vida nas grandes cidades. Buscando imagens da cidade de Edimburgo durante o século XIX fiquei bastante surpresa. As imagens não mostram aquelas cenas horripilantes que estamos acostumados a associar à cidade da Revolução Industrial. Pelo que entendi, a cidade se dividiu em Old Town e New Town, com agitações que datam 1500 quando a cidade foi escolhida para ser a capital da Escócia. Até que me surgiu um mapa com informações sobre a urbanização da cidade ao longo do tempo. As cores avermelhadas se referem a processos urbanísticos notadamente medievais. As cores azuis e marrons se concentram entre 1750 e 1900, o período que nos interessa. No final desse período, um terço da população escocesa se concentrava nas cidades de Aberdeen, Dundee, Edinburgo e Glasgow. Esse é o espaço das fabricas que, a exemplo de toda a Inglaterra, chegavam a funcionar por até 16 horas. Muito diferente dos relatos de dão conta do séc. XVIII quando os dias trabalhados eram em média 220. Fala-se também que em 1832 cerca de 10 mil habitantes morreram de cólera. Em 1860 a mortalidade era 60% maior nas cidades do que no campo. A urbanização tornara a vida nas cidades letal. O maior dos problemas eram as moradias insalubres e os detritos, industriais e…

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O diabo, dependendo do caso, às vezes pode fazer coisas muito gentis #AllStevenson

By Arte No Comments

Stevenson lutou contra a tuberculose durante praticamente toda sua vida. Morre aos 44 anos, em Samoa para onde fugiu em busca de uma cura. Essa condição, de incerteza e fragilidade da existência, é palpável em suas estórias pela vontade de ser outra pessoa (a cada personagem, é como se o autor e nós leitores vestíssemos um novo avatar) e pela necessidade de escapar (de um fantasma, de uma dívida, uma promessa, do demônio). Até ler O clube do suicídio, A estória do rapaz com as tortas de creme, sempre senti que Stevenson era a própria vítima de suas tragédias. Mas, este trechchinho me fez mudar um tantinho a perspectiva. The devil, depend upon it, can sometimes do a very gentlemanly thing “Why, is this not odd,” broke out Geraldine, giving a look to Prince Florizel, “that we three fellows should have met by the merest accident in so large a wilderness as London, and should be so nearly in the same condition?” “How?” cried the young man. “Are you, too, ruined? Is this supper a folly like my cream tarts? Has the devil brought three of his own together for a last carouse?” “The devil, depend upon it, can sometimes do a very gentlemanly thing,” returned Prince Florizel; “and I am so much touched by this coincidence, that, although we are not entirely in the same case, I am going to put an end to the disparity. Let your heroic treatment of the last cream tarts be my example.” Pois é, dizem que a maior habilidade que o diabo tem é fazer com que as pessoas desacreditarem nele. Na obra de Stevenson praticamente não se percebe sua presença. Antes da vítima, existe o autor malvado (malvadão) que nos coloca no meio de uma sala escura com apenas uma vela a tremular (O ladrão de cadáveres). Coincidência (ou não) deixo você com…

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O diabo, dependendo do caso, pode âs vezes fazer coisas muito gentis #AllStevenson

By Cultura & Sociedade No Comments

Stevenson lutou contra a tuberculose durante praticamente toda sua vida. Morre aos 44 anos, em Samoa para onde fugiu em busca de uma cura. Essa condição, de incerteza e fragilidade da existência, é palpável em suas estórias pela vontade de ser outra pessoa (a cada personagem, é como se o autor e nós leitores vestíssemos um novo avatar) e pela necessidade de escapar (de um fantasma, de uma dívida, uma promessa, do demônio). Até ler O clube do suicídio, A estória do rapaz com as tortas de creme, sempre senti que Stevenson era a própria vítima de suas tragédias. Mas, este trechchinho me fez mudar um tantinho a perspectiva. The devil, depend upon it, can sometimes do a very gentlemanly thing “Why, is this not odd,” broke out Geraldine, giving a look to Prince Florizel, “that we three fellows should have met by the merest accident in so large a wilderness as London, and should be so nearly in the same condition?” “How?” cried the young man. “Are you, too, ruined? Is this supper a folly like my cream tarts? Has the devil brought three of his own together for a last carouse?” “The devil, depend upon it, can sometimes do a very gentlemanly thing,” returned Prince Florizel; “and I am so much touched by this coincidence, that, although we are not entirely in the same case, I am going to put an end to the disparity. Let your heroic treatment of the last cream tarts be my example.” Pois é, dizem que a maior habilidade que o diabo tem é fazer com que as pessoas desacreditarem nele. Na obra de Stevenson praticamente não se percebe sua presença. Antes da vítima, existe o autor malvado (malvadão) que nos coloca no meio de uma sala escura com apenas uma vela a tremular (Janet, a aleijada). Coincidência (ou não) deixo você com esse…

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