Cultura & Sociedade

Um dia das crianças diferente

By October 12, 2012 No Comments

Fico abismada com as notícias sobre o dia da criança na televisão. Pais desconcertados se perguntando se devem ou não levar os filhos para fazer compras (estudos indicam que levar os filhos às lojas aumenta os gastos nessa data querida) e como devem economizar. Não vou dizer como você deve viver a sua vida. Mas posso dizer como é na minha casa: no fucking problem. Até mesmo porque presentes ainda não fazem parte da agenda de minha filha, graças a Belfhegora. Muito menos da nossa. Se existe um problema que aqui não temos é essa neura de presentes. Nem mesmo nos aniversários de casamento (coloquemos dessa forma) que já são muitos a essa altura do campeonato.
Mas nem sempre foi assim.
Na minha casa era tradição irmos ao Ibirapuera fazer uma espécie de piquenique. Mamãe levava farofa, carnes e os brinquedos. Muitas vezes eles eram dados antecipadamente pelas primas mais velhas. Desses lembro muito bem de um ursinho azul que tocava uma musiquinha quando lhe apertavam a barriga. Ficou comigo até a idade adulta, de tanto que gostava dele. Houve também os lango lango da vida e uma espécie de mão biônica esverdeada que brilhava no escuro. Mas nenhum deles se comparava à alegria de ir ao parque. Ao zoológico também.
Acredito que passados tantos anos guardei a lembrança de todos os brinquedos como pequenas caixinhas de memórias onde deixei preservados o mais importante dessa data, estar com meus pais. Alguma coisa naqueles dias deixava minha mãe sorridente e cheia de ansiedade. Talvez ela sentisse o mesmo que sinto hoje, olhando para minha filha e desejando algo melhor do que tive. Talvez nos ver abrindo os brinquedos fosse um alento para sua infância sem brinquedos. Talvez seja por isso também me falta tanto do ursinho azul, a concretude do afeto de uma tia-prima querida por quem conservo todo carinho daqueles dias…

Charô Nunes

Esses são textos de Charô Nunes, publicados em diversos blogs desde 2008, quando se inicia sua trajetória rumo à escrita e à intelectualidade. Alguns são textos inacabados, que serão publicados sem qualquer revisão ou adição.

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