Penelope na Odisseia a fiar, Canto II

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Só pra recapitular, no primeiro canto de Odisseia é explicado que Odisseu está longe de casa por castigo de Poseidon e por causa do sentimento possessivo de Calipso. Seu filho Telêmaco e sua esposa Penélope aguardam seu retorno enaunto os homens da cidade tomam o herói por morto e se engalfinham para decidir quem se casará com a suposta viúva e herdará o palácio e o governo de Ìtaca.

Babados fortíssmos.

I. A TELEMAQUIA

(…) a respeito de duas desgraças que em casa me pesam
Uma consiste na morte de meu pai ilustre, que outrora
paternalmente benigno reinou sobre vós, os presentes
ora outra muito mais grave ocorreu, e que breve há de a casa
completamente arruinar-me e destruir toda a minha fazenda.
A seu mau grado se vê minha mãe assediada e forçada
por pretendentes que os filhoa se dizem dos nobres da terra.

Telêmaco, filho de Odisseu e Penelope

A pergunta sobre Telêmaco está resolvida – ele está mais preocupado com a herança do que com o desaparecimento do pai. Isso é dito na Assembléia, onde é tomada a decisão de que ele saia em busca de notícias do pai com a ajuda de Palas Atena. Caso seja dada alguma informação sobre o paradeiro do divo, deverão esperar que volte por um ano.

É por isso que os primeiros cantos de Odisseia são chamados de Telemaquia, contam a busca de Telêmaco por Odisseu. Um dos seus maiores problemas é que ainda não é adulto, não tem os meios necessários para expulsar à força os pretendentes. Muito provavelmente a viagem será uma espécie de rito de passagem.

A personagem se declarar despreparado, até mesmo para falar em público. Em nenhum momento é feita uma descrição psicológica. Porém, quando Telêmaco está a caminho de falar na assembléia, Homero diz que Palas Atena lhe infunde nos ombros a graça divina, de modo tal, que os do povo o admiravam à sua passagem.

II. Penélope por John Waterhouse

Nós pretendentes não somos culpados, nós outros Aquivos;
culpa a tua mãe, por demais entendida em processos escusos. (…)
SAbe manter a esperança em todos e a todos promente
bem como envia mensagens, mas outros desígnios medita. (…)
Sim, não sairemos daqui para os nossos domínios, ou de outrem,
antes de vê-la casada com um dos Aqueus de sua escolha.

Antínoo, pretendente

Penelope and the Suitors (1912)

Penélope me parece ser uma mulher incompreedida. Antes de ler Odisseia, sempre tive a impressão de que se tratava de uma esposa devota, chorosa de saudade. Hoje tenha cá muitas dúvidas sobre esse retrato. Ela me parece muito mais uma estrategista do que a esposa abnegada que copiosamente chora a morte do marido.

Os pretendentes a descrevem como inteligente, alguém que resolve seus problemas com sabedoria e sagacidade. Dessa vez acreditam que ela está a fazer uma burrada pois, enquanto fia, eles permanecem no palácio gastando a herança. Creio que se trata de uma troca. Tê-los por perto por algum tempo, cozidos em banho-maria.

Enquanto isso, alguma solução é arquitetada. É o que vejo nesse óleo de John Waterhouse, até essa semana um desconhecido para mim. Penélope não espera, mas parece agir, ocupada demais com alguma coisa cuja metáfora é o fiar. Todos os outros assistem, hipnotizados. É como se Penelope estivesse numa peça de teatro que a todos distrai.

A pintura coloca em oposição os pretendentes e as servas, ou estaríamos falando de uma relação de igualdade? Penélope parece dominar a todos, que se colocam ao seu dispor. O pano de fundo é a conjuntura política da cidade. Em breve Odisseu há de voltar esua estratégia foi no mínimo bensucedida. Me falta saber porquê ela tomou tal decisão.

Cenas do próximo capítulo. Opa, canto!

A BLOGUEIRA AMA E RECOMENDA

Vem ler comigo! Eu amo e recomendo A odisséia de Homero, por Carlos Nunes.

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