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Consumo Aplicado

Nós mulheres deixamos de ser alvo da indústria tabagista?

By Cultura & Sociedade No Comments

Esse blogue já nasceu anti-tabagista: parei de fumar dia 15/02/2008, um ano antes de descobrir um câncer de mama. Os motivos foram as dores agudas nas costas, tosse crônica, respiração comprometida, dentes amarelados. É para lembrar de mim mesma e falar de todas nós, mulheres fumantes e ex-fumantes, decidi escrever sobre o dia 31 de março, Dia Mundial Anti-Tabaco. Um post dedicado a você fumante que está pensando em parar, assim como um dia eu quis. Especialmente você mulher, você jovem. Minha pergunta é simples: será que nós mulheres deixamos mesmo de ser alvo da indústria do tabaco? Com o cerco ao cigarro e o avanço nas pesquisas relacionando gênero e tabagismo, tende-se a acreditar que nós mulheres estamos virtualmente livres da propaganda tabagista que costumava ser bastante explicita. Costumava? Se uma foto de Angelina fumando não é uma propaganda eficaz e explícita, então não sei o que é. Ela, que parece ter sido feita para ilustrar que fumar significa juventude, beleza e rebeldia, serviu por muitos anos à indústria do tabaco. Mas os tempos são outros. Como a propaganda de cigarros não é mais uma opção, tem se criado formas de burlar o cerco legal a que a indústria tabagista tem sido submetida. Infelizmente não estou informada se existe restrição na indústria cinematográfica ao uso de…

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Adultizar crianças, infantilizar as mães: eu não #voudemarisa

By Cultura & Sociedade 19 Comments

Hoje quero falar sobre conceito de kidultização, ou infantilização de adultos versus a adultização de crianças, que li pela primeira vez no livro Consumido. A idéia é muito simples e lucrativa. Transforma adultos em consumidores impulsivos/irreflexivos e motiva/ensina crianças a comprar como adultos. Chega a ser estranho porque desqualifica e qualifica respectivamente o público alvo. É disso que fala, para mim, essa campanha do dia das mães das lojas Marisa. Mas com que finalidade?  Jovens adultas compram bonecas, brinquedos, jogos e também… Produtos que não precisam como maquiagem, saltos altos, vestidos insinuantes.  Engrossam as fileiras de uma fatia do mercado que fala à sedução, a um pretenso imaginário feminino que é social e artificialmente construído desde a mais tenra idade. Meninas são praticamente forçadas a comprarem laços, bolsas, bugingangas diversas… Para não somente emular uma jovem adulta mas para o serem de fato. Tornar-se-ão mais dóceis, sujeitando ao gosto “masculino”. Além de comprar, serão ensinadas a agradar o sexo oposto. Adultas jovens por sua vez serão ensinadas a esquecer as delícias e as agruras (oh, dizem que são tantas) de crescer e envelhecer. Buscarão a eterna juventude porque mulher, em nosso sistema de coisas, tem data de validade. Quanto mais jovens, melhor. Vide o exemplo…

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Feliz Dia Internacional da Mulher. Sem compras coletivas.

By Cultura & Sociedade 2 Comments

Não existe almoço grátis. E nem tratamento estético com 90% de desconto. Mas ofertas do tipo são anunciadas todos os dias em sites de compras coletivas. A cada novo anúncio, uma oportunidade única. Com descontos virtualmente imperdíveis, fico imaginando quantas mulheres serão presenteadas e se presentearão com esses produtos na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. Uma prática quase inofensiva. Quase. A compra de tratamentos estéticos através da internet é semelhante à automedicação. O cliente acha que precisa disso, daquilo e de mais um. Só que qualquer tratamento deveria ser feito após a criteriosa indicação de um profissional. Sem isso, o cliente coloca em risco sua saúde e seu bolso. Por que a partir do momento em que se usa um site de compras coletivas, perde-se a condição de paciente e se torna apenas mais um consumidor. E se o novelo é grande, a corda arrebentará do lado mais fraco. Soube de uma esteticista que foi obrigada a trabalhar por 4 reais a hora por que o cliente era um “peixe”. E peixe você sabe, anda em cardume. Não foi apenas uma hora, foram muitas. Ao meu ver, estamos falando de trabalho escravo. E se você trata um profissional dessa forma, como espera ser tratado? Veja o exemplo dos ofurôs ou hidros de…

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O desejo por exclusividade

By Cultura & Sociedade No Comments

Será que falei para vocês que sou fascinada pelo mercado de luxo? Especialmente pelas manobras rocambolescas que empresas e consumidores fazem quando se trata do assunto. São capazes de vender e comprar qualquer coisa por meio de um único adjetivo ainda que o significado do que é exclusivo tenha mudado ao longo do tempo. Antigamente luxo era aquilo que somente alguns podiam comprar e ostentar. Hoje, luxo é aquilo que se pode experimentar de forma exclusiva e que não será ostentado indistintamente mas sim entre iguais. Luxo é aquilo que você tem, fez ou experimentou, que será compartilhado entre seus pares, da forma mais exclusivista possível. Luxo não é ter um carro. Luxo é fazer um passeio de Ferrari. Luxo não é viajar´para Paris (maldita distribuição de renda, dirão alguns) mas sim fechar a Torre Eiffel para sua namorada. Isso acontece por que …o consumidor da classe A é avesso à exposição e preza pela exclusividade até na hora de ser abordado para a divulgação de produtos ou serviços. O consumo de luxo não está ligado à necessidade, mas à expectativa e à percepção diferenciada. Nesse contexto está o desafio dos gestores de grifes que têm que assimilar a importância da experiência de compra – que é tão ou mais importante do…

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Uma cadeira que conquistou meu coração

By Cultura & Sociedade 2 Comments

Rapazes e moças, ando precisada de uma cadeira. Porém, tenho uma relação emocional com produtos “de autor”. Especialmente… Cadeiras. Para algumas pessoas são carros, roupas, jóias. Para mim são cadeiras. Felizmente consigo evitar compras por impulso. Costumo esperar alguns meses, respirar fundo. Pensei muito em que modelo comprar. Agora que falo sobre isso, questiono se realmente preciso de uma cadeira ou estou perdida no processo de compra. Enfim… Após extensiva pesquisa, escolhi uma cadeira de balanço desenhada pelo casal de arquitetos Ray e Charles Eames. Você provavelmente já se sentou numa cadeira com concha plástica inspirada nos desenhos dos Eames. E daí que você vai me dizer que são móveis comuns pra tanto frenesi de minha parte. É, mas quem disse que sei disso subjetivamente? Essas cadeiras são para mim promessas de felicidade, momentos com minha filha, horas ao lado dos meus livros preferidos. E o fato de Ray ter sido inteligente e emancipada pesou na escolha. Ah claro, os blogues de design também. Eles podem nos convencer de tudo. Ninguém é educado, inteligente ou esperto o bastante quando o assunto são produtos “apaixonantes”. Sim, é uma cadeira comum. Acontece que sequestrou meu “coração”, assaltou minha subjetividade. Funciona assim – você mostra um cenário bacana, pessoas bonitas, artistas conhecidos e dá a entender que se o sujeito usar aquele produto vai se sentir parte daquele mundo e…

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