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Novela

Onde estão as bailarinas negras

By Arte 10 Comments

O fato de nossas bailarinas não serem reconhecidas pelo grande público me faz pensar em Amarildo, cujo paradeiro é desconhecido após ter sido levado para averiguação pela PMERJ. Ele que denuncia o perigo histórico de sermos nada mais que um recurso barato, renovável, descartável para que a supremacia brasileira branca funcione perfeitamente bem. Desaparecemos concreta e imageticamente.

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#limitetabaco – Não deveria ser legal fumar quando a classificação é livre

By Cultura & Sociedade No Comments

Maria Fernanda Cândido está em Lado a Lado na pele de uma deslumbrante, independente e escandalosa dançarina francesa, Mademoiselle Dorleac. No capitulo que foi ao ar hoje, sua personagem vai até a confeitaria Colonial (uma alusão à Confeitaria Colombo), espaço frequentado por jovens galanteadores do Rio de Janeiiro. Ali, vestida de homem (cartola, smoking e bengala), puxa um charuto e pergunta qual dos senhores poderia lhe acender o fumacê. Se em algumas cidades na década de 60 a mulher ainda estava às voltas com o uso de calças, imagine o que significava adotar a alfaiataria na década de 30. Para compor a personagem, a inspiração veio de mulheres como Marlene Dietrich (Marocco, 1932) e até mesmo Josephine Baker, que além do smoking, também usou uniforme militar após o término da Segunda Guerra. A genealogia do uso de roupas masculinas por mulheres inclui nomes como Georges Sand, escritora, ainda na década de 1830. Essa subverssão ou contestação pode acontecer de diferentes maneiras:  É evidente que a invasão do vestuário do sexo oposto ataca a impermeabilidade que se pretende ter entre eles e, por isso mesmo, é provocador. A transgressão e a subversão tem grande apelo erótico. Empréstimos de peças de vestuário de outro sexo demonstram subitamente um…

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Começou bem, só que não: Suburbia

By Cultura & Sociedade 2 Comments

Deveríamos estar em êxtase: pela primeira vez temos uma produção global com elenco majoritariamente negro. E mais, as atrizes principais são mulheres sem nenhuma experiência televisiva. Tudo isso com excelência técnica e apuro estético. Sim, deveríamos estar muito felizes. Acontece que não estamos. O primeiro texto que li dando conta dessa insatisfação me foi recomendado pela querida Giza Sousa e me deu uma grande vontade de falar também. O problema é Suburbia começou bem, só que não. Uma das dificuldades é que autores de novelas e novelinhas escrevem sempre a mesma coisa, no máximo variações do tema: as protagonistas costumam ser versões muito simplistas do arquétipo de Cinderela. Afinal isso traduziria um anseio natural feminino, Como se não houvesse nada mais importante do que ser bem sucedida na vida amorosa, a protagonista vai sofrer horrores antes de virar borboleta nos braços de um grande amor. Não sem antes se engalfinhar com a antagonista, pessoa que também não tem mais o que fazer além de estar frente ao espelho, espelho meu. A estória de Conceição começa em alguma cidadela mineira, onde trabalha com a família numa carvoaria. Após uma tragédia, deixa para trás sua égua de estimação (Rapunzel) e partirá em direção ao…

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Dia mundial pela democratização da comunicação e a representação do negro na televisão

By Cultura & Sociedade 2 Comments

Desde 1888, os negros saíram da senzala mas até hoje na tv só ganham destaque em papéis de escravos ou de subordinação. Enecos (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social). Esperei algum tempo para falar sobre a novela global do horário das 6, Lado a lado. Assim que começou a ser televisionada, ouvi alguns comentários muito positivos sobre a nova empreitada, que finalmente mostraria personagens negras e ainda mais pelo elenco ser formado por gente como Camila Pitanga e Lázaro Ramos, atores (negros) reconhecidos por seu talento e por responsabilidade étnico-racial. Uma coisa assim toda inovadora se considerarmos que a mesma emissora veicula coisas como Zorra Total. Vi os primeiros capítulos e fiquei emocionada em ver belas imagens de capoeiristas, além de ficar intrigada com o fato de a novela abordar alguns aspectos fundamentais de nossa sociedade: a formação das favelas/comunidades cariocas, a luta das primeiras mulheres pela igualdade e o declínio de uma aristocracia afeita à monarquia. Acima de tudo fiquei feliz por ver tantos negras e negros na telinha e pelo flagrante esmero na produção das cenas, na diretoria de arte. Mas… É o suficiente? No Dia mundial pela democratização da comunicação, ontem, a Enecos (Executiva Nacional dos Estudantes…

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Suellen, Leandro e Roni: tem como não amar?

By Cultura & Sociedade One Comment

Eu e a Suellen pedimos o Roni em casamento. Leandro É seu Diógenes, somos um casal de três. Roni Eu tentei ficar só com o Roni, não rolou. Tentei morar com o Leandro, não rolou. Faltava alguma coisa. Suellen Estou maravilhada com a participação de Suellen, Leandro e Roni em Avenida Brasil e não me atrevo a buscar alguma definição da relação que vivem, sei apenas que não são tradicionalmente monogâmicos e estão em pleno horário nobre, isso me basta. A relação tem seus altos e baixos, indas e vindas, mas agora que os pingos foram colocados nos is a coisa parece que está se ajeitando. Estão todos felizes, mutio bem obrigada. Só posso imaginar o efeito que tudo isso pode ter agora e mais, no futuro. A não-monogamia já alcançou as decisões judiciais, agora ganha espaço nas novelas que sabemos tem papel preponderante na construção do imaginário popular. Eu mesma já vivi coisa parecida e por um tempo fui muito feliz. Não deu muito certo por vários motivos, mas guardo boas lembranças que falam de amizade, desejo e alegria. Até hoje faço votos para que a terceira pessoa seja feliz e encontre pessoas que ame e seja amado. Acho…

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